Como usar o câmbio automático para frear o carro em descidas e evitar superaquecimento dos freios

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Motoristas de veículos com câmbio automático também podem utilizar o freio-motor para controlar a velocidade em descidas, reduzindo o esforço sobre o sistema de frenagem e evitando o superaquecimento dos componentes. A técnica, comum em carros com transmissão manual, pode ser aplicada nos automáticos por meio de recursos disponíveis no próprio câmbio, como modo manual, posições L, 2 e 1, dependendo do modelo do veículo.

O freio-motor funciona quando o motorista utiliza a resistência do próprio motor para reduzir a velocidade do veículo, mantendo uma marcha engatada e retirando o pé do acelerador. Em uma descida longa ou íngreme, essa estratégia ajuda a diminuir a necessidade de uso constante do pedal de freio, preservando o sistema e reduzindo o risco de perda de eficiência causada pelo excesso de calor.

Quando o motorista mantém o carro freando continuamente em trechos de serra ou em descidas prolongadas, o atrito entre pastilhas e discos aumenta a temperatura do conjunto. Esse aquecimento pode provocar a chamada cristalização das pastilhas, processo em que os materiais que compõem o componente sofrem alterações e passam a oferecer menor capacidade de frenagem.

Nos veículos com transmissão automática moderna, o motorista pode ativar o modo de trocas manuais e reduzir as marchas pela própria alavanca ou por comandos no volante, quando disponíveis. Dessa forma, o câmbio mantém uma relação mais baixa e aumenta a atuação do motor na retenção do veículo durante a descida.

Já nos modelos automáticos mais antigos, é comum encontrar posições específicas na alavanca, como L (Low), 2 ou 1. Ao selecionar essas opções, a transmissão limita as trocas e mantém o veículo em uma marcha mais baixa, proporcionando maior efeito de freio-motor. Em descidas mais acentuadas, a redução gradual pode aumentar o controle da velocidade sem exigir uso excessivo do pedal de freio.

A recomendação é fazer as reduções de forma progressiva. Segundo a reportagem, não se deve realizar uma mudança brusca de uma marcha alta diretamente para a primeira, pois o aumento repentino das rotações por minuto (rpm) pode causar esforço desnecessário ao motor. O ideal é escolher a relação adequada conforme a velocidade e a inclinação da pista.

Em uma situação de estrada, por exemplo, se o veículo estiver a 110 km/h em uma marcha elevada e começar a ganhar velocidade durante uma descida, o motorista pode retirar o pé do acelerador para ativar o efeito inicial do freio-motor. Caso a retenção não seja suficiente, pode combinar uma redução de marcha com frenagens pontuais para distribuir melhor o esforço entre motor e sistema de freios.

O uso correto do câmbio automático em descidas ajuda a preservar componentes, aumenta a segurança e evita que o motorista dependa exclusivamente dos freios convencionais em situações de maior exigência. O recurso reforça que, mesmo em veículos automáticos, o condutor possui ferramentas para controlar melhor o comportamento do carro em diferentes condições de condução.

Fonte: Terra.

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