Sono ao volante preocupa durante escoamento da safra e aumenta risco de acidentes nas rodovias brasileiras

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O período de escoamento da safra agrícola voltou a acender um alerta nas estradas brasileiras. Com o aumento da circulação de caminhões transportando grãos, alimentos e outros produtos do campo, especialistas em segurança viária chamam atenção para um dos fatores mais perigosos e frequentemente subestimados no trânsito: o sono ao volante. A fadiga dos motoristas é apontada como uma das principais causas de acidentes graves nas rodovias, especialmente durante longas jornadas de trabalho.

Segundo a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), a sonolência compromete diretamente a capacidade de reação, a concentração, a percepção de riscos e a tomada de decisões, produzindo efeitos semelhantes aos provocados pelo consumo de álcool. O problema ganha ainda mais relevância nesta época do ano, quando o transporte rodoviário assume papel fundamental para o deslocamento da produção agrícola até centros de distribuição, portos e indústrias.

De acordo com a reportagem do Portal do Trânsito, o aumento da demanda por transporte durante a safra leva muitos profissionais a permanecerem longos períodos na estrada, frequentemente enfrentando jornadas exaustivas. Nessas condições, o organismo passa a emitir sinais de alerta que não devem ser ignorados, pois podem anteceder episódios de cochilos involuntários ao volante.

Entre os principais sintomas estão bocejos frequentes, piscadas demoradas, dificuldade para manter os olhos abertos, sensação de cabeça pesada, perda de concentração, dificuldade para manter a velocidade constante e esquecimentos sobre trechos percorridos recentemente. Especialistas alertam que esses sinais indicam redução significativa da capacidade de condução segura.

Outro fenômeno preocupante é o chamado “microsono”, caracterizado por breves períodos de inconsciência que podem durar de alguns segundos a até meio minuto. Embora pareçam insignificantes, esses episódios são suficientes para provocar tragédias. Um caminhão trafegando a 80 km/h percorre mais de 22 metros por segundo. Isso significa que, durante apenas cinco segundos de microsono, o veículo pode avançar mais de 110 metros sem qualquer controle efetivo do motorista.

A Associação Brasileira de Medicina do Tráfego destaca que os horários mais críticos para a ocorrência de sonolência costumam ser durante a madrugada, especialmente entre meia-noite e seis horas da manhã, além do início da tarde, período em que ocorre uma queda natural do estado de alerta do organismo humano.

O problema não afeta apenas caminhoneiros. Motoristas de ônibus, condutores de veículos de passeio e motociclistas também estão sujeitos aos efeitos da privação de sono. No entanto, os riscos são potencializados no transporte de cargas devido ao peso dos veículos, às longas distâncias percorridas e ao tempo prolongado de permanência na estrada.

Para reduzir os riscos, especialistas recomendam que os motoristas priorizem o descanso adequado antes das viagens. A orientação é dormir entre sete e oito horas por noite, evitando iniciar deslocamentos após períodos prolongados de vigília. Também é importante respeitar os intervalos obrigatórios previstos na legislação e realizar pausas regulares durante trajetos extensos.

A reportagem ressalta que medidas populares entre motoristas, como aumentar o volume do rádio, abrir os vidros ou consumir grandes quantidades de café, podem até proporcionar uma sensação momentânea de alerta, mas não substituem o descanso real. Quando a sonolência se instala, a única solução efetivamente segura é interromper a viagem e repousar.

Outra recomendação é evitar refeições muito pesadas antes de dirigir e manter uma boa hidratação ao longo do percurso. O planejamento prévio da viagem, incluindo locais seguros para descanso, também é considerado uma ferramenta importante para a prevenção de acidentes.

Com o Brasil dependente do transporte rodoviário para movimentar grande parte da produção agrícola nacional, a preocupação com a fadiga dos motoristas ganha dimensão estratégica. Especialistas reforçam que preservar a segurança nas estradas durante o escoamento da safra não depende apenas das condições dos veículos ou da infraestrutura viária, mas também do estado físico e mental de quem está ao volante.

A mensagem dos profissionais de segurança no trânsito é clara: ao primeiro sinal de sono, pare o veículo e descanse. Alguns minutos de repouso podem evitar acidentes graves e salvar vidas.

Fonte: Portal do Trânsito

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