Por Emerson Pereira – Foto Divulgação Prefeitura de São Paulo
Enquanto passageiros de Salvador frequentemente reclamam da idade e das condições dos ônibus que circulam pela cidade, São Paulo adotou há mais de uma década uma medida simples voltada à transparência no transporte público: todos os ônibus do sistema municipal exibem, na parte dianteira da carroceria, uma identificação indicando o ano de fabricação do veículo.
A prática não é apenas um padrão visual das empresas operadoras. Na capital paulista, a exigência faz parte da Lei Municipal nº 15.940/2013, que estabelece regras para a identidade visual dos coletivos do sistema municipal e determina a exibição de informações relacionadas aos veículos.

Na prática, o adesivo permite que qualquer passageiro saiba rapidamente se está embarcando em um ônibus novo ou em um coletivo com vários anos de uso. A iniciativa também amplia a fiscalização social e aumenta a transparência sobre a renovação da frota.
Em Salvador, apesar do debate frequente sobre qualidade do transporte público e envelhecimento da frota, não existe uma identificação padronizada que informe de forma clara ao usuário quando o ônibus foi fabricado.
Atualmente, dados sobre idade média da frota costumam aparecer apenas em relatórios técnicos ou divulgações institucionais, distante da realidade da maioria dos passageiros que utiliza o sistema diariamente.
Especialistas do setor lembram, no entanto, que nem sempre um ônibus com aparência desgastada é necessariamente antigo do ponto de vista da fabricação. Em muitos casos, veículos relativamente novos acabam transmitindo sensação de sucateamento por conta de problemas de conservação, manutenção inadequada, desgaste interno e limpeza deficiente.
Nesse contexto, a identificação do ano de fabricação também ajudaria a diferenciar a idade real do veículo das condições em que ele se encontra, permitindo uma discussão mais precisa sobre manutenção, conservação da frota e qualidade operacional das empresas.
Além de fortalecer a transparência, a medida possui baixo custo de implementação e poderia ajudar passageiros a acompanharem de forma mais clara a renovação dos ônibus que circulam na cidade.
Em cidades onde existem limites de idade para os veículos do transporte público, a identificação visual também funciona como uma ferramenta adicional de cobrança social, já que o próprio usuário consegue identificar se o ônibus aparenta estar dentro dos padrões esperados para operação.
Apesar das constantes reclamações da população sobre o sistema de transporte coletivo de Salvador, propostas legislativas voltadas à transparência, experiência do passageiro e melhoria operacional raramente ganham destaque no debate político local. Nos últimos anos, grande parte das discussões envolvendo o setor na Câmara Municipal acabou concentrada em projetos que ampliam gratuidades ou criam novas obrigações financeiras para o sistema, aumentando ainda mais os custos da operação.
Nesse cenário, iniciativas simples, de baixo custo e com impacto direto na relação entre passageiro e transporte público acabam ficando em segundo plano, mesmo podendo contribuir para uma percepção maior de organização, fiscalização e transparência do serviço.
Em São Paulo, a identificação da idade dos ônibus já faz parte da identidade visual do sistema municipal e se tornou mais um elemento de comunicação direta com o usuário. Em Salvador, a adoção de uma medida semelhante poderia representar um avanço simples, mas simbólico, na forma como o transporte público se relaciona com a população.





