Salvador tem o menor número de assaltos a ônibus em 17 anos, mas ainda há um ponto que preocupa

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Por Emerson Pereira – Foto Vitor Barreto/SSP BA

Salvador atingiu, em março deste ano, o menor índice de roubos a ônibus urbanos desde o início da série histórica acompanhada pelos operadores do sistema Integra, em 2009. Apenas cinco ocorrências foram registradas no período, número que reforça a queda gradual desse tipo de crime nos últimos anos na capital baiana.

O cenário atual contrasta fortemente com momentos mais críticos enfrentados pelo transporte público da cidade. O maior volume de assaltos da série foi registrado em maio de 2017, quando 181 casos ocorreram em apenas um mês, período marcado por constantes relatos de violência dentro dos coletivos e medo recorrente entre passageiros e rodoviários.

Os dados divulgados pelos operadores mostram que a redução vem acontecendo de forma contínua entre 2022 e 2026. Há quatro anos, por exemplo, os registros mensais chegaram a ultrapassar a marca de 70 ocorrências. Já em 2026, os índices passaram a permanecer abaixo de 20 casos mensais, culminando no recorde de baixa registrado em março.

Para a Polícia Militar da Bahia, a diminuição dos assaltos está ligada ao reforço das ações de segurança voltadas ao transporte público. Segundo a corporação, o trabalho desenvolvido pelo Batalhão de Policiamento de Prevenção a Roubos em Coletivos (Batalhão Gêmeos), aliado ao apoio de outras unidades operacionais, tem ampliado o monitoramento e o policiamento em áreas estratégicas da cidade.

A PM afirma ainda que operações preventivas e o posicionamento direcionado de viaturas em corredores de ônibus e regiões com grande circulação de passageiros seguem sendo utilizados como estratégia para reduzir os índices de criminalidade nos coletivos.

Mesmo com os números em queda, a violência no transporte público ainda é vista como uma das principais preocupações de quem utiliza os ônibus diariamente em Salvador. Isso porque, além do impacto causado pelos assaltos, existe um problema apontado há anos por passageiros e rodoviários: a dificuldade para registrar oficialmente as ocorrências.

Atualmente, os casos de roubos em coletivos são concentrados no Grupo Especial de Repressão a Roubos em Coletivos (GERRC), localizado na região da Calçada. Com isso, passageiros vítimas de crimes em bairros distantes precisam seguir até a Cidade Baixa para formalizar a denúncia.

Na prática, a situação acaba desestimulando o registro de parte das ocorrências. Em muitos casos, usuários assaltados em regiões como Itapuã, Cajazeiras ou Subúrbio Ferroviário preferem desistir da queixa para evitar o deslocamento até a unidade policial, o que levanta discussões sobre possível subnotificação dos dados oficiais.

Embora os indicadores apontem avanço na segurança dentro dos ônibus, especialistas e usuários ainda defendem medidas que facilitem o registro das ocorrências e ampliem a sensação de segurança no sistema, principalmente para quem depende diariamente do transporte público na capital baiana.

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