A discussão na Câmara dos Deputados sobre a inclusão de hidrovias no Programa Nacional de Desestatização (PND) coloca em evidência um ponto estratégico para a mobilidade no Brasil: o uso mais eficiente dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós como corredores logísticos. A audiência pública, marcada para esta terça-feira (7), busca avaliar se a concessão dessas rotas à iniciativa privada pode destravar gargalos históricos no transporte de cargas e ampliar a competitividade do país.
Hoje, a dependência de licitações anuais do Dnit, sujeitas a cortes orçamentários e entraves burocráticos, compromete a navegabilidade contínua dessas hidrovias. Esse cenário impacta diretamente a mobilidade de mercadorias, elevando custos e limitando a capacidade de escoamento, especialmente em regiões onde o transporte rodoviário é mais caro e menos eficiente. A ausência de uma gestão estruturada impede, por exemplo, a operação regular de embarcações de maior porte, reduzindo a eficiência logística.
Por outro lado, a proposta de inclusão no PND, defendida por parlamentares como Luiz Carlos Busato, aponta para benefícios relevantes. A concessão poderia viabilizar investimentos em dragagem, sinalização, balizamento e gestão de tráfego, ampliando a capacidade das vias e reduzindo o custo por tonelada transportada. Na prática, isso pode significar uma mobilidade mais fluida, previsível e integrada, com impacto positivo nas cadeias produtivas e na redução da pressão sobre rodovias.
No entanto, a proposta também levanta alertas importantes. Parlamentares como Alexandre Lindenmeyer destacam que essas hidrovias atravessam áreas sensíveis, onde vivem povos indígenas e comunidades tradicionais. A ampliação da navegabilidade e das intervenções estruturais pode gerar impactos socioambientais, alterando dinâmicas locais e exigindo mecanismos robustos de consulta e proteção territorial.
Assim, o debate evidencia um dilema central: de um lado, a oportunidade de transformar os rios em eixos estratégicos de mobilidade logística, reduzindo custos e aumentando a eficiência do transporte; de outro, o risco de aprofundar conflitos socioambientais caso a expansão não seja planejada com equilíbrio. O avanço do projeto dependerá da capacidade de conciliar desenvolvimento econômico com inclusão social e sustentabilidade.
Fonte: Agência Câmara de Notícias



