Um estudo da Bank of America projeta uma mudança profunda na sociedade: até 2060, o mundo poderá ter cerca de 3 bilhões de robôs humanoides em operação, número que supera, em termos proporcionais, os atuais 1,5 bilhão de carros em circulação global. A previsão aponta não apenas para uma revolução tecnológica, mas para uma transformação estrutural na economia e na própria mobilidade urbana.
Segundo o relatório, cerca de 62% desses robôs — aproximadamente 2 bilhões de unidades — estarão dentro das residências, desempenhando funções domésticas e de assistência. O principal motor dessa expansão não é a inovação em si, mas a escassez de mão de obra, impulsionada pelo envelhecimento populacional, alta rotatividade e aumento dos custos trabalhistas.
A viabilidade econômica dessa revolução está diretamente ligada à queda de preços. O custo de produção de um robô humanoide, que era de cerca de US$ 35 mil em 2025, pode cair para menos de US$ 17 mil até 2030. Em paralelo, modelos já começam a chegar ao mercado com preços entre US$ 13.500 ou até mesmo em formato de aluguel por cerca de US$ 499 por mês, acelerando a adoção em larga escala.
Esse cenário aponta para uma mudança significativa na lógica de deslocamento e consumo nas cidades. Com robôs assumindo tarefas como compras, entregas e serviços domésticos, a necessidade de deslocamento humano tende a diminuir, impactando diretamente o uso de veículos individuais. A mobilidade urbana até 2060 poderá ser marcada por menos carros nas ruas, maior automação logística e cidades mais eficientes, com redução de congestionamentos e emissão de poluentes.
Apesar das projeções otimistas, especialistas alertam para desafios. Nomes como Rodney Brooks questionam a viabilidade de robôs humanoides no curto prazo, enquanto outros apontam barreiras tecnológicas, regulatórias e culturais. Ainda assim, o próprio estudo reconhece que a combinação entre pressão demográfica, avanço tecnológico e redução de custos cria um caminho consistente para essa transformação ao longo das próximas décadas.
Se confirmada, a transição de uma sociedade centrada em automóveis para outra baseada em automação pode redefinir não apenas o mercado de trabalho, mas também o planejamento urbano e a forma como as pessoas vivem e se deslocam nas cidades.
Fonte: Terra



