Falhas no transporte de cargas perigosas elevam riscos

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O transporte de produtos perigosos — como químicos, inflamáveis, gases tóxicos e materiais corrosivos — é essencial para setores estratégicos da economia, mas também representa um risco silencioso para a segurança pública e o meio ambiente. No Brasil, mais de 3 mil tipos de substâncias classificadas como perigosas circulam regularmente pelas rodovias, exigindo controle rigoroso em todas as etapas da logística.

Dados da Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP) mostram que apenas no estado de São Paulo foram registradas 862 ocorrências envolvendo transporte de cargas perigosas em 2023, média superior a 70 incidentes por mês. Muitos desses casos estão ligados a falhas operacionais, embalagens inadequadas ou classificação incorreta das substâncias transportadas.

O principal desafio está no caráter pouco visível desses riscos. Problemas podem surgir antes mesmo do transporte, durante a classificação da carga, escolha da embalagem ou treinamento das equipes responsáveis pelo manuseio. Quando ocorrem falhas nesse processo, acidentes podem resultar em vazamentos químicos, incêndios, explosões ou contaminação ambiental, além de provocar interdições de rodovias e evacuação de áreas urbanas.

Para reduzir esses riscos, o transporte de mercadorias perigosas segue normas rigorosas nacionais e internacionais, incluindo regras da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), além de regulamentos internacionais como International Air Transport Association (IATA) e International Maritime Organization (IMO). Essas normas definem padrões de embalagem, rotulagem, documentação e capacitação profissional para garantir a segurança no transporte.

Especialistas alertam que, com o crescimento do comércio global e da circulação de produtos químicos e industriais, o volume de cargas perigosas tende a aumentar, tornando ainda mais importante o investimento em tecnologia, rastreabilidade, certificação de embalagens e treinamento técnico. Quando toda a cadeia logística segue os protocolos de segurança, o transporte torna-se previsível e controlado; porém, falhas em qualquer etapa podem transformar um risco invisível em acidentes de grande impacto humano, ambiental e econômico.

Fonte: Portal do Trânsito

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