Um levantamento comparando os valores de lançamento em 2022 com as cotações da Tabela FIPE de fevereiro de 2026 mostra uma diferença expressiva na retenção de valor entre o SUV elétrico BYD Tan e o utilitário esportivo a diesel Toyota SW4. Enquanto o modelo da BYD perdeu mais da metade do preço inicial, o SUV da Toyota apresentou desvalorização bem mais moderada no mesmo período.
O BYD Tan chegou ao mercado brasileiro em 2022 com preço próximo de R$ 515.890 nas versões mais completas. Em fevereiro de 2026, unidades do mesmo ano aparecem na FIPE com valor médio ao redor de R$ 244 mil. A diferença supera R$ 270 mil, o que representa queda aproximada de 52% em quatro anos.
Já a Toyota SW4 2022, que tinha preço sugerido de cerca de R$ 406.790 na versão Diamond 2.8 Diesel 4×4, registra atualmente valores médios próximos de R$ 338 mil. A perda estimada gira em torno de R$ 68 mil, equivalente a desvalorização aproximada de 16% no período.
Comparativo de desvalorização (valores aproximados)
| Modelo | Preço 0 km (2022) | FIPE Fev/2026 | Perda estimada | Desvalorização |
|---|---|---|---|---|
| BYD Tan 2022 | R$ 515.890 | ~R$ 244.000 | ~R$ 271.000 | ~52% |
| Toyota SW4 2022 | R$ 406.790 | ~R$ 338.000 | ~R$ 68.000 | ~16% |
Obs.: valores médios, podendo variar conforme versão e mês de referência da FIPE.
A diferença é explicada por uma combinação de fatores. O mercado de usados ainda demonstra cautela com elétricos de alto valor, especialmente diante da rápida evolução tecnológica e da entrada de novos concorrentes. Além disso, reduções oficiais de preço promovidas pela própria BYD nos anos seguintes impactaram diretamente o valor residual dos primeiros compradores. No caso da SW4, pesam a reputação histórica de revenda da Toyota, a ampla aceitação no interior do país e a alta liquidez no mercado de usados.
Do ponto de vista da mobilidade, o cenário revela um desafio para a eletrificação no Brasil. Embora veículos elétricos contribuam para a redução de emissões e menor impacto ambiental nas cidades, a forte desvalorização pode gerar insegurança no consumidor e dificultar a expansão do mercado no segmento premium. A infraestrutura de recarga ainda em consolidação e a percepção de risco tecnológico influenciam diretamente o comportamento do comprador no mercado secundário.
Por outro lado, a queda acentuada nos preços pode representar oportunidade para ampliar o acesso a veículos elétricos no mercado de usados, favorecendo gradualmente a transição energética. Já modelos consolidados como a SW4 mantêm atratividade por sua previsibilidade de valor e robustez mecânica.
Os dados reforçam que, além de autonomia e tecnologia, valor de revenda continua sendo fator decisivo na escolha do consumidor brasileiro, especialmente em um mercado sensível a custos totais de propriedade.
Fonte: Garagem360



