BRT de Goiânia vira referência ao investir em ônibus elétricos articulados e biarticulados

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Por Emerson Pereira – Foto Divulgação Marcopolo

Nos últimos dias, a Marcopolo entregou 21 ônibus elétricos Attivi Express que passam a operar nos corredores do BRT da Região Metropolitana de Goiânia. A frota é composta por cinco veículos biarticulados, com 28 metros de comprimento, e 16 articulados, de 21 metros, todos sobre chassis Volvo. A entrega consolida o sistema goiano como uma das principais referências em mobilidade urbana no país, ao combinar eletrificação da frota com a adoção de ônibus de alta capacidade, característica fundamental para sistemas estruturantes.

Os veículos foram desenvolvidos para atender corredores de alta demanda, reunindo conforto, acessibilidade, tecnologia e segurança. O interior conta com poltronas City estofadas com portas USB, piso com acabamento amadeirado, iluminação full LED e ar-condicionado. Em relação à acessibilidade, os ônibus possuem rampas no lado esquerdo, elevador no lado direito e áreas reservadas para pessoas com mobilidade reduzida. O pacote tecnológico inclui ainda câmeras embarcadas, sistema de reconhecimento facial para monitoramento e portas com acionamento eletrônico e função antiesmagamento, ampliando a segurança operacional e a experiência dos usuários.

A escolha por veículos articulados e biarticulados dialoga diretamente com a escala do BRT de Goiânia. Atualmente, o sistema transporta cerca de 180 mil passageiros por dia, o que representa aproximadamente 12 milhões por mês, com expectativa de alcançar 17 milhões mensais após a conclusão das obras em andamento. O projeto contempla a integração de 268 linhas, distribuídas em 50 km de corredores principais e 55 km de ramificações, beneficiando também municípios da região metropolitana, como Trindade, Goianira e Senador Canedo. Com a chegada dos ônibus elétricos, o sistema amplia sua capacidade de absorção de passageiros e avança na redução de emissões de poluentes e do ruído urbano.

A experiência de Goiânia contrasta com a realidade observada em Salvador. Apesar de também contar com um sistema de BRT, a capital baiana ainda apresenta uma frota predominantemente composta por ônibus convencionais, mesmo em corredores de alta demanda. No BRT Salvador, existem apenas dois ônibus articulados de 18 metros em operação, número incompatível com a lógica de um sistema desse porte. No sistema convencional Integra, a situação é ainda mais restritiva: não há veículos de alta capacidade, como trucados ou articulados, e os investimentos seguem concentrados em micro-ônibus e modelos convencionais de cerca de 12,5 metros.

Esse cenário reforça que a discussão sobre mobilidade urbana não se limita à quantidade de veículos incorporados à frota, mas passa, sobretudo, pela escolha do tipo de ônibus mais adequado à demanda real do sistema. Enquanto Goiânia estrutura seu BRT com veículos compatíveis com o volume de passageiros transportados, Salvador segue enfrentando episódios frequentes de superlotação, evidenciando a necessidade de um planejamento de frota mais alinhado à capacidade exigida pelos seus principais corredores e linhas urbanas.

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