Governo avança em grandes projetos, mas sistema metropolitano segue sem rumo

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Por Emerson Pereira – Foto Reprodução SóMob

O Governo da Bahia vem conduzindo projetos relevantes para a mobilidade urbana, com destaque para a implantação do VLT do Subúrbio, a duplicação da região do Derba e a ampliação do metrô de Salvador. As iniciativas reforçam uma estratégia focada em modais estruturantes e de alta capacidade, além de sinalizarem investimentos de longo prazo na infraestrutura de transporte.

Esses avanços, porém, contrastam com a falta de definições sobre outros pontos centrais da mobilidade metropolitana. Um dos exemplos mais evidentes é Lauro de Freitas, onde a prometida extensão do metrô nunca saiu do papel. Até o momento, o governo não esclareceu se o projeto foi definitivamente abandonado ou se pretende substituí-lo por outro modal, como BRT ou VLT, o que mantém o município em um cenário de incerteza.

A situação é ainda mais crítica no sistema metropolitano de ônibus. Operando sem licitação, apesar de promessas feitas ainda durante a gestão do ex-governador Rui Costa, o sistema acumula problemas estruturais. A frota apresenta idade elevada e, em muitos casos, é composta por veículos desativados do transporte urbano de Salvador. Ao longo dos últimos anos, o cenário levou à falência de empresas como BTM, VSA e Nova Viação, além da saída de operadoras como Costa Verde, Brisa e Cidade das Águas.

Diante do risco de colapso, o governo estadual adotou medidas emergenciais, destinando cerca de R$ 30 milhões para manter empresas como Expresso Vitória, Avanço, Atlântico e Expresso Metropolitano em operação. Embora a iniciativa tenha evitado a interrupção imediata dos serviços, ela não representa uma solução estrutural nem indica avanços concretos em direção à regulação do sistema.

Enquanto isso, usuários que se deslocam diariamente a partir de cidades da Região Metropolitana continuam enfrentando longos tempos de espera, superlotação e baixa integração com o metrô. O contraste também se reflete na comunicação institucional: VLT e metrô ocupam espaço central nas propagandas oficiais, enquanto os ônibus metropolitanos, principal meio de transporte de milhares de trabalhadores, seguem praticamente fora do debate público.

O resultado é uma política de mobilidade que avança em grandes obras, mas ainda deixa sem respostas o funcionamento do sistema que sustenta, na prática, a maior parte dos deslocamentos metropolitanos.

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