Etanol desponta como alternativa estratégica à eletrificação veicular no Brasil

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Enquanto o mundo aposta na eletrificação total da frota automotiva como solução para reduzir emissões de carbono, o Brasil reforça seu protagonismo ao investir em uma alternativa já consolidada: o etanol. O tema foi destaque no Summit Futuro da Mobilidade, realizado por Autoesporte e Valor Econômico, que reuniu especialistas e líderes da indústria em São Paulo.

Foto: Shutterstock.

Durante o painel “Etanol, elétricos, hidrogênio e combustível sintético: a descarbonização da frota brasileira em curto, médio e longo prazo”, o etanol foi apontado como um dos pilares da transição energética nacional. Segundo André Valente, diretor de Sustentabilidade da Raízen, o país já ocupa posição de destaque global nesse processo.

“Nossa gasolina, com 30% de mistura de etanol, é uma das mais limpas do mundo. Em outros países, essa proporção raramente ultrapassa 10%”, afirmou Valente.

O executivo também destacou a COP 30, que será realizada em Belém (PA), como oportunidade para o Brasil apresentar ao mundo os benefícios do biocombustível derivado da cana-de-açúcar, que já representa cerca de 17% da matriz energética nacional.

Híbridos flex ganham força como solução viável

Outro ponto abordado no evento foi o avanço dos veículos híbridos flex, que combinam motor elétrico e propulsão a etanol. Para Spartacus Pedrosa, diretor de operações de lítio do Grupo Moura, essa tecnologia representa uma ponte eficiente entre o modelo atual e a eletrificação total.

“A bateria é fundamental para a descarbonização do futuro, mas o uso do etanol como fonte renovável torna o processo mais acessível e sustentável”, explicou Pedrosa.

Além disso, o cultivo da cana-de-açúcar contribui para a absorção de carbono, criando um ciclo ambientalmente mais equilibrado — algo que os veículos 100% elétricos ainda não conseguem replicar em larga escala.

Etanol também viabiliza produção de hidrogênio verde

Pesquisas recentes indicam que o etanol pode ser utilizado na geração de hidrogênio limpo, combustível essencial para veículos movidos a célula de combustível. O processo ocorre por meio da reação entre etanol e água em altas temperaturas, gerando hidrogênio sem emissão de poluentes.

De acordo com Emílio Carlos Nelli Silva, pesquisador do Research Centre for Greenhouse Innovation (RCGI-USP), o Brasil tem potencial para liderar essa frente.

“O etanol pode ser a solução mais eficiente e econômica para a produção de hidrogênio destinado à mobilidade elétrica”, afirmou Silva.

Estratégia nacional pode reduzir emissões em até 35%

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet, reforçou que o desenvolvimento de tecnologias baseadas em biocombustíveis pode reduzir em até 35% as emissões de carbono da frota brasileira.

Com a expansão dos híbridos flex, o avanço das pesquisas com hidrogênio e o uso inteligente do etanol, o Brasil demonstra que é possível alcançar uma mobilidade sustentável com soluções próprias, economicamente viáveis e menos dependentes dos veículos elétricos importados.

Com informações do News Motor.

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