Mobo tem 90 centímetros de altura, pesa 18 kg e utiliza inteligência artificial para interagir com moradores; XPeng, Xiaomi, BYD e GAC também avançam na robótica
A fabricante chinesa Chery apresentou o Mobo, um robô humanoide desenvolvido para fazer companhia dentro de casa. Criado pela AiMOGA, divisão de robótica da montadora, o equipamento tem cerca de 90 centímetros de altura, pesa 18 kg e foi projetado para interagir com moradores, reconhecer ambientes e executar tarefas a partir de comandos. A novidade amplia a atuação das montadoras chinesas em um mercado que vai além dos veículos elétricos.
O Mobo utiliza o sistema de inteligência artificial MoAgent, que, segundo a empresa, consegue interpretar instruções complexas, dividi-las em tarefas menores e planejar atividades de longo prazo. Sensores permitem que o robô reconheça o ambiente e se desloque pela residência. O sistema também pode conversar com os moradores e memorizar as preferências de cada integrante da família.
A AiMOGA informa que o equipamento possui 22 graus de liberdade de movimento, característica que permite executar diferentes movimentos corporais. Entre as demonstrações previstas pela fabricante está a capacidade de dançar. A empresa, porém, ainda precisa mostrar como o robô se comportará em situações domésticas variadas e quais tarefas poderá realizar de forma confiável no cotidiano.
O Mobo é o primeiro humanoide da AiMOGA voltado especificamente ao ambiente residencial. A divisão já desenvolveu o Mornine, destinado a atuar como assistente em concessionárias e fábricas. Segundo a Chery, a experiência acumulada na produção de veículos, aliada à cadeia de fornecedores da companhia, pode facilitar sua entrada no setor de robótica.
A estratégia também acompanha movimentos de outras fabricantes chinesas. A XPeng desenvolve o humanoide IRON e informou que sua linha de produção específica entrou em operação, com planos de avançar para a fabricação em larga escala. A Xiaomi, por sua vez, testou robôs humanoides em uma fábrica de carros elétricos e pretende ampliar o uso desses equipamentos na produção industrial.
A BYD também demonstrou interesse na tecnologia, com planos de utilizar robôs humanoides em concessionárias para apoiar o atendimento e a apresentação de veículos. Já o grupo GAC desenvolveu os robôs GoMate e GoMate Mini, voltados a aplicações que incluem logística, assistência e serviços. Os projetos mostram que as montadoras estão explorando diferentes usos para a robótica, sobretudo em ambientes controlados.
A aproximação entre carros e robôs é favorecida pelo uso de tecnologias semelhantes, como sensores, inteligência artificial, sistemas de controle, software e atuadores. A XPeng estima que cerca de 70% de sua base tecnológica possa ser aproveitada nas duas áreas. Ainda assim, levar humanoides para dentro das residências representa um desafio diferente do uso em fábricas e concessionárias, onde as atividades costumam ser mais previsíveis.
A Chery aposta no mercado doméstico com o Mobo, mas a utilidade prática, o preço e a disponibilidade comercial do equipamento serão determinantes para avaliar seu potencial. Por enquanto, a apresentação representa um passo da empresa na expansão de seus negócios para além do setor automotivo.
Fonte: Xataka Brasil / Chery / Reuters



