Plano de reestruturação prevê cortes em benefícios, remuneração variável e postos de trabalho; proposta ainda depende de negociações com representantes dos trabalhadores
A Volkswagen estuda congelar os salários de aproximadamente 660 mil funcionários em todo o mundo até 2030, além de reduzir benefícios e postos de trabalho. A proposta faz parte de um plano de reestruturação para diminuir os custos da montadora alemã e foi divulgada nesta segunda-feira (19) pelo Conselho Global de Trabalhadores da empresa.
Segundo informações publicadas inicialmente pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung e repercutidas pela Reuters, a medida poderá reduzir em cerca de 10% o poder de compra dos empregados até o fim da década, caso seja implementada. A estimativa considera os efeitos da inflação durante o período de congelamento salarial.
As diretrizes em discussão também incluem possíveis cortes na remuneração variável, nos pagamentos extras e nos benefícios. As mudanças poderiam começar no quarto trimestre de 2026, mas ainda dependem de negociações com os representantes dos trabalhadores.
Procurada para comentar as informações, a Volkswagen não confirmou o congelamento dos salários e classificou os relatos como especulações. Um porta-voz da companhia afirmou que uma nova rodada de negociações, prevista para esta semana, deverá tratar de possíveis alterações nos custos com pessoal.
A reestruturação ocorre sob a liderança do CEO Oliver Blume, em meio aos esforços da montadora para reduzir despesas. As propostas provocaram reação de entidades sindicais, que questionam o alcance das medidas e os impactos sobre os trabalhadores.
O Conselho Global de Trabalhadores classificou o possível congelamento salarial como “absurdo” e “bastante irrealista”, sinalizando resistência à iniciativa. O sindicato alemão IG Metall também criticou a possibilidade de mudanças na remuneração sem negociação com os representantes dos funcionários.
A entidade sindical reforçou que as condições salariais na Volkswagen devem ser definidas por meio de negociações entre as partes, e não por decisão unilateral da diretoria. Até o momento, o congelamento não foi confirmado pela empresa e segue como uma proposta em discussão.
Fonte: BNews / Reuters / Süddeutsche Zeitung



