Vendas de veículos crescem 18% no Brasil, e importações avançam 30,4% até setembro

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Projeção da Anfavea aponta comercialização de 3,1 milhões de unidades em 2026; avanço das marcas chinesas amplia debate sobre competitividade da indústria nacional

O mercado automotivo brasileiro mantém ritmo de crescimento acima das previsões iniciais para 2026. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) passou a estimar a venda de 3,1 milhões de veículos leves e pesados até dezembro, alta de 15,2% em relação a 2025. Em setembro, os emplacamentos chegaram a 281,4 mil unidades, o maior resultado mensal desde dezembro de 2014, segundo a coluna do jornalista Fernando Calmon, publicada pela Revista Carro.

Apesar do desempenho positivo nas vendas, a indústria nacional enfrenta um avanço mais lento da produção. Enquanto o mercado cresceu 18%, a fabricação brasileira aumentou 9%. No acumulado de janeiro a setembro, as importações avançaram 30,4% em comparação com o mesmo período de 2025. As marcas chinesas tiveram expansão de 106,4%, ampliando sua participação no mercado.

O crescimento das importações também levantou questionamentos sobre os benefícios da produção realizada no Brasil. Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, parte do aumento da atividade local envolve veículos enviados da China total ou parcialmente desmontados, com menor utilização da cadeia brasileira de autopeças e menos mão de obra no processo.

A competitividade diante dos fabricantes chineses foi tema de uma avaliação de Herlander Zola, presidente da Stellantis América do Sul. Ele afirmou que as montadoras ocidentais demoraram a compreender o modelo de produção verticalizado adotado na China, que permite reduzir custos e ampliar a capacidade de exportação. Para o executivo, elevar impostos de importação não é suficiente: também seria necessário estimular a compra de aço, pneus, plásticos e outros componentes de fornecedores instalados no país.

Zola citou ainda a entrada de cerca de 700 mil veículos leves importados em um ano como um fator de pressão sobre a indústria brasileira. O executivo defendeu regras que incentivem a produção local e fortaleçam a cadeia de fornecedores. A discussão envolve também os veículos importados em regimes de montagem, como CKD e SKD, que chegam ao país desmontados ou parcialmente desmontados.

Outro fator que influencia a disputa entre tecnologias é a política de incentivos aos veículos eletrificados. Zola destacou diferenças entre os benefícios tributários concedidos pelos estados, incluindo a isenção de IPVA para modelos elétricos em Pernambuco. Na cidade de São Paulo, veículos elétricos e híbridos, inclusive os semihíbridos, também estão dispensados do rodízio municipal por final de placa, conforme as regras locais.

Fonte: Revista Carro / Fernando Calmon

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