Mãe registra mais de mil denúncias por falta de acessibilidade em Belo Horizonte

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Foto: Reprodução redes sociais

Juliana Alcântara transformou as dificuldades enfrentadas pelo filho com paralisia cerebral em uma mobilização para cobrar melhorias nas ruas e espaços públicos da capital mineira

Mais de mil denúncias sobre problemas de acessibilidade foram registradas em Belo Horizonte nos últimos dois anos por Juliana Alcântara, de 42 anos. Servidora pública e mãe de Gael Alexandre, de 6 anos, que tem paralisia cerebral do tipo diplegia espástica e utiliza uma órtese conhecida como corrente de Rhodes, ela passou a documentar obstáculos encontrados durante os deslocamentos pela cidade.

Entre os problemas apontados estão calçadas e ruas danificadas, falta de rampas, raízes de árvores, postes, pedras e outros obstáculos que dificultam a circulação de pessoas com mobilidade reduzida. Moradora da zona leste da capital, Juliana afirma que começou a fazer os registros de forma sistemática à medida que percebeu as dificuldades enfrentadas pela família nos trajetos cotidianos.

Para facilitar os passeios com o filho, a família também encontrou alternativas próprias, como uma bicicleta de três rodas na qual Gael permanece na parte dianteira. A criança consegue participar dos deslocamentos e ter contato com diferentes espaços da cidade. A mobilização ganhou o apelido de “Periquito Fiscalizador”, usado pela família para identificar a atuação de Gael e os registros feitos pela mãe.

A cobrança também alcançou espaços de lazer. Segundo um levantamento realizado por Juliana, 35 clubes de Belo Horizonte não teriam plataforma ou rampa adequada para atletas, enquanto 11 atenderiam aos critérios considerados na pesquisa. Para o arquiteto e urbanista Sérgio Myssior, mestre em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a acessibilidade precisa ser considerada como parte da estrutura urbana e da circulação pela cidade.

A Prefeitura de Belo Horizonte informou que adota como referências as normas ABNT NBR 9050/2020 e NBR 16537/2024, além das regulamentações municipais. O Executivo também afirmou que, em determinadas situações envolvendo imóveis particulares, a responsabilidade pela execução, manutenção e adaptação das passagens cabe ao proprietário. Segundo dados apresentados pela administração, foram realizadas 5.760 inspeções em 2025, com 935 multas e 2.534 notificações de orientação. Em 2026, até a data da reportagem, foram 3.565 inspeções, 432 multas e 1.825 notificações.

Além das denúncias formais, Juliana criou materiais para levar o tema às crianças, entre eles o jogo de tabuleiro “Turminha do Gael na missão de acessibilizar BH” e um “baralho da acessibilidade”. Para ela, a mobilização busca mostrar que calçadas, ruas, equipamentos públicos e espaços de lazer precisam ser utilizáveis por pessoas com deficiência e também por quem enfrenta limitações temporárias de mobilidade. A Prefeitura informou que reclamações sobre irregularidades podem ser encaminhadas pelo aplicativo BH SIM, pelo Portal de Serviços ou pelo telefone 156.

Fonte: Prensa Mercosur / Minas Informa

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