Cidade de 15 minutos reduz dependência do carro

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Morar perto do trabalho, do comércio, de serviços, de áreas de lazer e do transporte público pode reduzir a necessidade de usar o carro nos deslocamentos cotidianos. Essa é a proposta da chamada Cidade de 15 Minutos, conceito urbanístico que defende a proximidade entre moradia e atividades essenciais para permitir que boa parte dos trajetos seja feita a pé ou de bicicleta.

O conceito, popularizado pelo urbanista franco-colombiano Carlos Moreno e adotado em cidades como Paris, propõe que serviços, trabalho, saúde, comércio, parques e opções de lazer estejam acessíveis em até 15 minutos de caminhada ou pedalada.

Um levantamento realizado em Curitiba ajuda a demonstrar como essa lógica funciona na prática. O Índice CWB de Caminhabilidade, elaborado pela plataforma Valor CWB, analisou os 75 bairros da capital paranaense com base em critérios como acesso a comércio, serviços, transporte público e equipamentos urbanos.

O Bigorrilho ficou em primeiro lugar, com 97,1 pontos. Entre os fatores considerados estão a concentração de serviços essenciais, a ampla cobertura de transporte público, a configuração das quadras, que favorece os deslocamentos a pé, e a proximidade com o Parque Barigui.

O estudo reforça que a decisão de caminhar ou pedalar não depende apenas da vontade individual de deixar o carro em casa. A própria organização das cidades influencia essa escolha. Quando moradia, serviços e infraestrutura estão distantes, o automóvel tende a se tornar necessário até mesmo para atividades simples do cotidiano.

A proposta da Cidade de 15 Minutos não prevê, necessariamente, eliminar o carro da rotina, mas reduzir sua utilização obrigatória. A ideia é criar condições para que os moradores tenham alternativas viáveis para realizar parte de seus compromissos sem depender do automóvel.

Essa mudança também começa a influenciar o planejamento de empreendimentos imobiliários. Fatores como proximidade de serviços, integração com as calçadas, bicicletários e espaços de trabalho compartilhado passam a ser considerados na relação entre moradia e mobilidade.

Segundo o diretor de operações da GT Building, Marcelo Fassina, o consumidor passou a valorizar também o entorno do imóvel e a conveniência proporcionada pela localização. Para ele, a possibilidade de realizar atividades cotidianas a pé representa ganho de tempo e pode reduzir a necessidade de utilizar o carro.

A caminhabilidade também pode gerar economia. Um estudo da Forte Desenvolvimento Sustentável, contratado pela GT Building para avaliar o empreendimento OÁS Barigui, estimou que a substituição de parte dos trajetos de carro por deslocamentos a pé poderia representar uma economia individual de 528 litros de gasolina por ano, equivalente a mais de R$ 3,4 mil anuais em combustível por morador.

O empreendimento alcançou 96 pontos de 100 no Walk Score, classificação denominada “Paraíso dos Pedestres”, que indica facilidade para realizar tarefas cotidianas sem a necessidade de utilizar automóvel.

Além da redução dos gastos com combustível, o menor uso do carro também pode contribuir para a diminuição das emissões de dióxido de carbono. Por isso, edifícios e novos projetos urbanos começam a incorporar estruturas como bicicletários, coworkings, espaços para recebimento de encomendas e áreas que favorecem a conexão com o entorno.

A experiência de Curitiba mostra que incentivar a mobilidade ativa exige mais do que pedir aos cidadãos que abandonem o carro. É necessário oferecer cidades com serviços próximos, transporte público acessível e infraestrutura que permita caminhar e pedalar com segurança e praticidade.

O princípio da Cidade de 15 Minutos, portanto, é ampliar as alternativas de deslocamento e permitir que o automóvel deixe de ser indispensável para todas as atividades do dia.

Crédito: Portal do Trânsito, Mobilidade & Sustentabilidade.

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