Carros elétricos vendidos no Brasil podem apresentar uma autonomia oficial até 30% inferior aos números divulgados em outros mercados, sem que isso signifique perda de capacidade da bateria. A diferença ocorre principalmente por causa da metodologia adotada pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, do Inmetro, que aplica um fator de correção aos resultados obtidos em laboratório para chegar a uma estimativa considerada mais próxima das condições reais de uso.
Desde 2023, o Inmetro aplica um fator de 0,7 aos resultados obtidos no ciclo de laboratório para veículos elétricos. Na prática, isso significa uma redução de 30% sobre o número bruto medido antes que ele seja apresentado como autonomia oficial no mercado brasileiro.
A correção não representa uma perda de energia ou de capacidade da bateria durante o processo de homologação. O objetivo é estabelecer uma margem de segurança diante de condições que podem afetar o consumo no uso cotidiano e que não são reproduzidas integralmente em um teste controlado, como velocidade mais elevada, utilização do ar-condicionado, aclives, temperatura, carga transportada e estilo de condução.
Outro fator que dificulta a comparação entre os números divulgados internacionalmente é a existência de diferentes ciclos de homologação. O CLTC, utilizado na China, tende a apresentar resultados mais otimistas para muitos veículos elétricos. O WLTP, adotado na Europa, procura representar uma variedade maior de condições de condução, mas também é realizado em ambiente de laboratório. Já o padrão brasileiro incorpora a correção de 30% ao resultado medido para chegar à referência divulgada pelo Inmetro.
A diferença pode ser significativa em alguns modelos. O BYD Yuan Plus, por exemplo, tem referência de 458 km no ciclo chinês, enquanto a homologação brasileira indica 294 km. No caso do Porsche Taycan GTS, a autonomia chega a 504 km no ciclo europeu, contra 318 km na referência do Inmetro.
| Modelo | Referência externa | Referência no Brasil |
|---|---|---|
| BYD Yuan Plus | 458 km | 294 km |
| Porsche Taycan GTS | 504 km | 318 km |
Para quem pretende comparar veículos elétricos disponíveis no mercado brasileiro, a autonomia informada pelo Inmetro é a referência mais adequada, porque coloca os modelos sob a mesma metodologia. O número, entretanto, não deve ser interpretado como uma promessa de quilometragem que será necessariamente alcançada em qualquer situação.
As condições de condução podem alterar significativamente o resultado. Um motorista que trafega em velocidades mais baixas, utiliza a regeneração de energia de maneira eficiente e mantém uma condução moderada pode superar a autonomia homologada. Em contrapartida, rodovias com velocidades elevadas, uso do ar-condicionado e veículo carregado podem aumentar o consumo e reduzir a distância percorrida com uma carga.
Por isso, é importante diferenciar capacidade da bateria de autonomia homologada. A capacidade é uma característica física do veículo, enquanto a autonomia divulgada é o resultado obtido de acordo com um determinado protocolo de testes. Assim, quando um modelo apresenta no Brasil uma autonomia inferior à anunciada na China ou na Europa, isso não significa necessariamente que o veículo vendido no país tenha uma bateria menor ou seja tecnicamente inferior.
No uso diário, algumas medidas podem contribuir para preservar a autonomia, como dirigir de maneira suave, manter os pneus na pressão correta, utilizar o ar-condicionado de forma racional e aproveitar a frenagem regenerativa. Em viagens, também é importante evitar velocidades muito elevadas por períodos prolongados, já que elas aumentam o consumo de energia.
Para planejar deslocamentos, a recomendação é utilizar a autonomia oficial brasileira como referência inicial, mantendo uma margem adicional para fatores como clima, relevo, velocidade, carga do veículo e disponibilidade de pontos de recarga.
Fonte: Garagem360.



