A ideia de trabalhar como motorista de aplicativo apenas para complementar a renda está cada vez mais distante da realidade de grande parte da categoria. Um levantamento da plataforma GigU, realizado em parceria com a Jangada Consultoria de Comunicação, mostra que apenas 7,2% dos motoristas conseguem atingir sua meta financeira dentro da jornada de trabalho que consideram ideal. Para a maioria, a solução tem sido ampliar o expediente, chegando a jornadas de até 12 horas por dia.
A pesquisa ouviu cerca de 1,5 mil motoristas de aplicativo em todo o Brasil e revela que o trabalho deixou de ser, para muitos, uma fonte de renda complementar. Hoje, a atividade é tratada como principal ocupação e exige uma dedicação semelhante — ou até superior — à de um emprego formal.
Outro levantamento, realizado pela empresa de tecnologia para mobilidade Machine, ajuda a dimensionar essa rotina. Segundo o estudo, 58% das jornadas começam entre 6h e 11h, com maior concentração às 7h da manhã. Já 60,9% dos motoristas encerram o expediente entre 17h e 23h, sendo que quase 30% finalizam as atividades entre 18h e 20h, justamente no período de maior movimento nas cidades.
Custos pressionam a rentabilidade
Além das longas jornadas, os custos operacionais reduzem a renda efetiva dos profissionais. Combustível, manutenção, pneus, seguro, depreciação do veículo e, em muitos casos, parcelas de financiamento ou aluguel do automóvel comprometem boa parte do faturamento bruto obtido nas corridas.
Segundo Luiz Gustavo Neves, CEO da GigU, muitos motoristas estabelecem metas de faturamento, mas não calculam adequadamente os custos da atividade.
“Carro na rua é custo, seja por consumo de combustível, desgaste de peças ou pelo valor da própria hora de trabalho”, afirmou o executivo.
Gestão financeira pode fazer diferença
O estudo aponta que acompanhar indicadores como custo por quilômetro rodado, retorno por hora trabalhada e rentabilidade de cada corrida pode ajudar os profissionais a reduzir a necessidade de jornadas tão extensas.
Ainda assim, a pesquisa conclui que existe um desafio estrutural no modelo de trabalho por aplicativos: para grande parte dos motoristas, aumentar o tempo conectado à plataforma continua sendo a principal forma de alcançar a renda desejada.
Fonte: Terra, com informações da GigU, Jangada Consultoria de Comunicação e Machine.




