Ferrari Luce conquista consumidores chineses mesmo custando até três vezes mais que rivais locais

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O lançamento do Ferrari Luce, primeiro automóvel 100% elétrico da história da fabricante italiana, tem mostrado que a força da marca continua pesando na decisão de compra dos consumidores chineses. Apesar de chegar ao mercado com um preço que pode ser até três vezes superior ao de modelos elétricos de alto desempenho produzidos por fabricantes locais, o veículo despertou forte interesse e teve sua primeira remessa destinada à China praticamente esgotada.

Na China, o Ferrari Luce foi lançado por 3,988 milhões de yuans (cerca de US$ 586,6 mil), valor significativamente superior ao de esportivos elétricos chineses que oferecem desempenho semelhante ou até superior. Entre eles está o Hyptec SSR, da GAC, comercializado a partir de 1,286 milhão de yuans (aproximadamente US$ 189 mil), o que significa que seria possível adquirir cerca de três unidades do modelo chinês pelo preço de um único Ferrari Luce.

Mesmo diante dessa diferença de preço, a estratégia da Ferrari parece ter surtido efeito. Segundo informações divulgadas pela imprensa chinesa, as 88 unidades inicialmente destinadas ao mercado local foram rapidamente reservadas. Embora concessionárias continuem recebendo pedidos, o interesse demonstrado pelos consumidores reforça a aposta da fabricante italiana no mercado chinês, considerado atualmente um dos mais importantes para veículos de luxo eletrificados.

Além do elevado preço, o modelo enfrentou críticas desde sua apresentação oficial. O Luce rompe com a tradição estética da Ferrari ao adotar uma carroceria de cinco portas e configuração voltada ao conforto, em vez do desenho típico dos superesportivos da marca. O projeto também marcou a entrada definitiva da fabricante de Maranello no segmento dos veículos totalmente elétricos, dividindo opiniões entre fãs da marca e especialistas do setor.

Sob o aspecto técnico, o Luce entrega 1.050 cavalos de potência, mas seus concorrentes chineses apresentam números ainda mais expressivos. O Yangwang U9, da BYD, desenvolve 1.287 cavalos, acelera de 0 a 100 km/h em 2,36 segundos e oferece recarga ultrarrápida de até 500 kW. Já o Hyptec SSR anuncia aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 1,9 segundo em sua versão mais potente. Ainda assim, a Ferrari aposta que seu público não busca apenas desempenho, mas também exclusividade, tradição e prestígio da marca.

Outro aspecto que chamou atenção foi a política de preços adotada pela fabricante. Diferentemente do que ocorre com outros modelos da Ferrari comercializados na China, o Luce chegou ao país com preço cerca de 7% inferior ao praticado na Europa. A estratégia contrasta com a tributação normalmente elevada aplicada a veículos de luxo com motores a combustão no mercado chinês e foi apontada como um dos fatores que podem ter contribuído para o bom desempenho inicial das vendas.

Para analistas, o sucesso inicial do Luce demonstra que, apesar do rápido avanço tecnológico das montadoras chinesas, o valor simbólico da marca Ferrari continua exercendo forte influência entre consumidores de alta renda. Em um mercado cada vez mais competitivo no segmento de veículos elétricos, a fabricante italiana aposta que tradição, exclusividade e identidade de marca ainda representam diferenciais capazes de justificar um preço significativamente superior ao da concorrência.

Fonte: Terra Mobilidade (Xataka).

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