A montadora chinesa BYD intensificou sua ofensiva contra criadores de conteúdo que, segundo a empresa, divulgaram informações falsas sobre a marca nas redes sociais. A fabricante confirmou que move ações judiciais contra 37 influenciadores digitais e mantém outros 126 perfis sob monitoramento interno, em uma das maiores campanhas de combate à difamação já realizadas pela indústria automotiva chinesa.
A iniciativa ocorre em meio a uma disputa crescente entre fabricantes chinesas não apenas por participação de mercado, mas também pelo controle de sua reputação digital. Segundo a BYD, os conteúdos publicados por esses influenciadores fariam parte de ataques considerados “organizados” e “coordenados”, com potencial para prejudicar a imagem da empresa junto ao público.
De acordo com informações divulgadas pelo Departamento Jurídico da montadora, algumas das primeiras decisões judiciais já foram proferidas e resultaram em condenações, pedidos públicos de desculpas e multas elevadas. Em um dos casos citados pela reportagem, um usuário foi obrigado a publicar uma retratação e pagar cerca de 100 mil yuans, equivalente a aproximadamente R$ 77 mil, após acusações consideradas infundadas pela Justiça chinesa.
Influenciador diz que não tem como pagar multas milionárias
O caso que mais chamou atenção envolve o influenciador Qian Zuping, que atuava nas plataformas Douyin — versão chinesa do TikTok — e Bilibili. Em decisão divulgada na quarta-feira (4), ele foi obrigado a remover conteúdos publicados em 2023 e 2024, encerrar suas contas e emitir um pedido público de desculpas.
Segundo a reportagem, Zuping afirmou receber cerca de 250 euros por mês, valor equivalente a aproximadamente R$ 1,5 mil, e declarou não ter condições financeiras para arcar com as penalidades impostas a outros criadores de conteúdo processados pela montadora. O influenciador chegou a pedir clemência para evitar a ruína financeira.
Multas ultrapassam R$ 1,5 milhão
A ofensiva da BYD tem produzido consequências ainda mais severas para alguns influenciadores. Um dos primeiros condenados foi Long Ge, que recebeu uma multa de aproximadamente 293 mil euros, valor superior a R$ 1,7 milhão.
Outros canais citados na reportagem, como Long Zhu-Ji Che e Da Qin Jun Shan Tuan, enfrentam penalidades superiores a 260 mil euros cada, quantia que ultrapassa R$ 1,5 milhão na conversão aproximada apresentada pela publicação.
Entre as acusações investigadas pela empresa estão alegações sobre supostas explosões de veículos, problemas financeiros da montadora e outras informações consideradas falsas ou sem comprovação.
BYD mantém sistema permanente de vigilância
A fabricante afirma que preserva publicações, comentários e conteúdos considerados ofensivos como provas judiciais. Segundo Li Yunfei, gerente-geral do Departamento de Marca e Relações Públicas da BYD, todas as evidências seguem sendo armazenadas para subsidiar novas ações judiciais.
A empresa também mantém uma estrutura interna dedicada ao combate à desinformação. Conhecida como “News Anti-Fraud Office”, a divisão monitora conteúdos considerados prejudiciais à reputação da marca e incentiva denúncias contra publicações supostamente difamatórias.
China tem ambiente diferente para influenciadores automotivos
A reportagem destaca que a situação ocorre em um contexto peculiar do mercado chinês. Diferentemente de muitos países ocidentais, a China possui menor presença de veículos tradicionais de imprensa especializados em automóveis, fazendo com que grande parte da população obtenha informações sobre o setor por meio de influenciadores digitais.
Esse cenário transforma criadores de conteúdo em atores relevantes na disputa pela imagem das montadoras, aumentando a pressão sobre suas publicações e ampliando os impactos de eventuais processos judiciais.
A ofensiva da BYD ocorre paralelamente a investigações envolvendo outras gigantes chinesas da tecnologia e da mobilidade, como a Xiaomi, que também acusa grupos organizados de espalhar informações falsas para prejudicar sua reputação.
Fonte: Terra (com informações de Xataka e Cars News China)




