China e Mongólia avançam em ferrovia estratégica, mas 20 km ainda travam corredor bilionário

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Após mais de uma década de negociações, China e Mongólia seguem tentando concluir um corredor ferroviário essencial para o transporte de minério e carvão, mas ainda enfrentam um obstáculo crítico: um trecho final de apenas 19,5 km na fronteira do Deserto de Gobi. O projeto, iniciado em 2012, já soma mais de 13 anos e envolve uma estrutura logística capaz de movimentar até 50 milhões de toneladas por ano.

A primeira fase foi concluída em 2022, com a construção de 233,6 km de ferrovia (258 km com infraestrutura auxiliar), incluindo 16 pontes e capacidade para cargas de até 25 toneladas por eixo. Já a segunda etapa, iniciada em 2025, prevê a conexão transfronteiriça no trecho de Gashuunsukhait-Gantsmod, com previsão de conclusão em 2027. Apesar da curta extensão, o trecho exige soluções complexas de engenharia e adaptação à geografia extrema.

O projeto é estratégico porque conecta a gigantesca reserva de carvão de Tavan Tolgoi — estimada em 6,4 bilhões de toneladas — ao mercado chinês, principal destino das exportações da Mongólia, que hoje já responde por cerca de 90% das vendas externas do país. Com a ferrovia completa, a expectativa é que o volume exportado salte de 83 milhões para 165 milhões de toneladas por ano, gerando impacto econômico estimado em US$ 1,5 bilhão.

Um dos maiores desafios técnicos está na diferença de bitola ferroviária: a Mongólia utiliza padrão de 1.520 mm, enquanto a China adota 1.435 mm. A solução será uma linha de bitola dupla, permitindo a circulação de trens dos dois países sem necessidade de transbordo de carga, reduzindo custos e tempo logístico.

Além das questões técnicas, o projeto enfrenta condições extremas, com temperaturas que variam de -40°C a mais de 40°C, além de areia e ventos intensos que afetam a infraestrutura. Ainda assim, a ferrovia já demonstrou impacto positivo: o custo do transporte de carvão caiu de US$ 32 para US$ 8 por tonelada, reforçando a vantagem econômica do modal ferroviário em relação ao transporte rodoviário.

A conclusão desse corredor representa não apenas um avanço logístico, mas uma peça-chave na segurança energética da China e no crescimento econômico da Mongólia, embora também aumente a dependência comercial entre os países.

Fonte: Xataka Brasil

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