Uma possível greve nacional de caminhoneiros pode ocorrer até o fim desta semana, segundo a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores, intensificando o alerta sobre impactos na economia e no abastecimento. O anúncio foi feito pelo presidente da entidade, Wallace Landim, após articulações com lideranças estaduais e uma assembleia realizada no Porto de Santos, que reuniu representantes de várias regiões do país.
O principal fator de tensão é a alta expressiva do diesel, que já acumula aumentos recentes e chegou a cerca de R$ 6,90 por litro em média nacional, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Apenas na primeira semana de março, o combustível subiu mais de 7%, pressionado pelo petróleo internacional, que ultrapassou US$ 100 o barril em meio a conflitos no Oriente Médio. Mesmo com medidas do governo federal para conter preços, incluindo redução de tributos, o reajuste de 11,6% nas refinarias pela Petrobras manteve a insatisfação da categoria.
No transporte, a Agência Nacional de Transportes Terrestres reajustou os pisos mínimos de frete em até 7%, após o diesel acumular alta superior a 13%, conforme a legislação vigente. Ainda assim, caminhoneiros afirmam que a medida tem baixo impacto prático sem fiscalização efetiva, e defendem ações estruturais como isenção de pedágio para caminhões vazios e mecanismos mais rígidos de controle de custos operacionais.
A estratégia inicial da mobilização é a paralisação voluntária, evitando bloqueios de rodovias, com orientação para que motoristas suspendam atividades. No entanto, há possibilidade de endurecimento do movimento caso não haja respostas concretas do governo. O cenário reforça a preocupação com impactos diretos na logística, no abastecimento e na inflação, especialmente em um momento de alta volatilidade econômica.
Fonte: Estadão



