Transporte clandestino pode ser até 4 vezes mais letal

0
19

Acidentes recentes reforçam um alerta antigo nas rodovias brasileiras: viajar em transporte interestadual clandestino aumenta significativamente o risco para passageiros. Segundo estudo citado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), deslocamentos em serviços irregulares podem ser até quatro vezes mais letais do que no transporte regular autorizado.

Embora não exista uma base estatística única que consolide todas as mortes atribuídas exclusivamente ao transporte clandestino, casos emblemáticos ajudam a dimensionar o problema. Em novembro de 2020, um acidente em Taguaí (SP) deixou dezenas de vítimas fatais; à época, foi noticiado que a empresa responsável operava de forma irregular. Em outubro de 2023, um ônibus em situação irregular se envolveu em acidente na BR-070, no entorno do Distrito Federal, também com mortes e feridos. Mais recentemente, em fevereiro de 2026, a CNN Brasil relatou ocorrência na BR-153, em São Paulo, envolvendo veículo interestadual sem autorização, segundo a Polícia Rodoviária Federal.

O problema vai além do acidente em si. No transporte regular fiscalizado pela ANTT, há exigência de Seguro de Responsabilidade Civil, regras de manutenção, habilitação adequada de motoristas, rastreabilidade e canais formais de atendimento ao passageiro. No clandestino, esses mecanismos são inexistentes ou frágeis, o que dificulta responsabilização e assistência às vítimas.

A fiscalização também revela a dimensão do desafio. Em fevereiro de 2026, a ANTT retirou 26 veículos irregulares de circulação em Minas Gerais, operação que impactou cerca de 750 passageiros que viajavam sem garantias mínimas de segurança.

Especialistas alertam que o transporte clandestino costuma crescer em períodos de alta demanda, como feriados e férias, oferecendo preços abaixo do mercado, embarques fora de terminais, venda sem bilhete formal e veículos sem identificação clara. A aparente economia, porém, pode custar caro.

A recomendação é objetiva: optar por empresas autorizadas pela ANTT, adquirir passagens em canais oficiais e embarcar em pontos reconhecidos. Em viagens interestaduais, não se trata apenas de formalidade, mas de uma camada real de proteção que pode fazer diferença entre um trajeto seguro e mais uma tragédia nas estradas.

Fonte: Ônibus & Transporte

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here