Mudança de letreiros no BRT substitui “Rodoviária” por “Shopping da Bahia”

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Por Emerson Pereira – Foto Luis Matheus

Os ônibus do sistema BRT de Salvador começaram a circular com o novo destino “Shopping da Bahia” exibido no letreiro eletrônico. A imagem, enviada por um seguidor, indica que a nova nomenclatura passa a substituir o termo “Rodoviária”, até então utilizado nas linhas B1, B2, B3 e B5 do modal.

A alteração ocorre após a transferência da Rodoviária da região do Iguatemi para Águas Claras e tem como objetivo evitar associações com o antigo equipamento. No mesmo movimento, o terminal urbano anexo à antiga Rodoviária também foi rebatizado pela Secretaria de Mobilidade (Semob) como “Terminal Shopping da Bahia”.

Apesar da tentativa de adequação territorial, a escolha do novo nome chama atenção. A adoção da referência direta a um empreendimento privado como identificação oficial do sistema levanta questionamentos sobre os critérios adotados para a decisão. Até o momento, não há comunicação oficial indicando que o shopping esteja pagando ou oferecendo contrapartidas financeiras para ter seu nome estampado nos ônibus do BRT.

Em outras capitais, como São Paulo, iniciativas semelhantes costumam envolver contratos e investimentos significativos por parte das empresas interessadas. Em Salvador, ao que tudo indica, a associação ocorre sem custos aparentes, em um sistema que enfrenta dificuldades de arrecadação e opera com tarifa de R$ 5,90, valor arcado integralmente pelo passageiro.

No metrô, o cenário segue diferente. Apesar do anúncio do governo estadual de que a estação passaria a se chamar Iguatemi, a comunicação visual permanece inalterada. Placas, sinalização e avisos internos dos trens continuam fazendo referência à Rodoviária, reforçando a percepção de falta de alinhamento e planejamento na gestão da informação ao usuário.

Em um sistema de transporte intermodal, mudanças de nomenclatura exigem critérios claros, transparência e padronização. Quando essas decisões não caminham de forma integrada, a consequência mais imediata é a confusão para quem depende diariamente do transporte público para se deslocar pela cidade.

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