Por Emerson Pereira – Foto Ícaro Chagas
A transferência da Rodoviária de Salvador da região do Iguatemi para Águas Claras segue provocando impactos práticos — e simbólicos — na mobilidade urbana da capital. Embora o governador Jerônimo Rodrigues tenha anunciado que a estação de metrô da região seria rebatizada como Estação Iguatemi, até o momento da publicação desta matéria o nome oficial permanece inalterado, tanto na sinalização da estação quanto nos trens que circulam pelo sistema.
Enquanto isso, no transporte por ônibus, as mudanças já começaram a aparecer — e não sem controvérsia. Na semana passada, a Secretaria de Mobilidade (Semob) anunciou a alteração da nomenclatura das linhas do sistema Integra que tinham como destino o terminal urbano anexo à antiga Rodoviária. O novo nome adotado foi “Terminal Shopping da Bahia”, decisão que gerou debate ao atrelar um equipamento público a um empreendimento privado, sem anúncio de contrapartidas claras, além da visibilidade gratuita da marca.
Ao menos do ponto de vista operacional, a mudança foi efetivada: os ônibus já circulam com o novo destino exibido nos letreiros, substituindo o termo “Rodoviária”, que agora passou a remeter exclusivamente à unidade localizada em Águas Claras.
O próximo capítulo dessa transição envolve o sistema BRT. Ao longo da última semana, o portal recebeu mensagens de seguidores questionando se o BRT teria sido estendido até a nova Rodoviária — uma dúvida que, à primeira vista, pode soar estranha. No entanto, ela encontra explicação na prática atual: linhas como B1, B2, B3 e B5 ainda exibem de forma destacada o destino “Rodoviária”, mesmo não atendendo o equipamento de Águas Claras.
Até agora, a Semob não informou qual será a nomenclatura adotada para a estação mais movimentada do BRT. Resta saber se o sistema retomará uma padronização mais lógica, como “BRT Iguatemi”, ou se seguirá pelo caminho de novos batismos pouco convencionais, como um eventual “BRT Shopping da Bahia”. O esclarecimento deve ocorrer nos próximos dias, já que a manutenção do termo “Rodoviária” tende a se tornar insustentável diante das confusões geradas entre os passageiros.
Em um sistema de transporte intermodal como o de Salvador — que integra metrô, ônibus convencionais e BRT — a comunicação não é um detalhe secundário. Nomes, letreiros e informações claras fazem parte da experiência do usuário e influenciam diretamente a forma como a cidade é compreendida e utilizada. No fim das contas, mais do que uma disputa de nomenclaturas, o que está em jogo é a capacidade do sistema de falar a mesma língua de quem depende dele todos os dias.




