Entre metrô, VLT e BRT: o impasse da mobilidade em Lauro de Freitas

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Por Emerson Pereira – Foto LF News

O Governo do Estado da Bahia vive um dilema em relação à mobilidade urbana de Lauro de Freitas. Até o momento, a aguardada extensão do metrô até o centro do município não saiu do papel e os sinais indicam que o projeto foi, ao menos por ora, colocado em segundo plano.

Com a chegada do metrô de Salvador ao Terminal Aeroporto, criou-se uma expectativa concreta entre os moradores de Lauro de Freitas de que o sistema metroviário avançaria até as imediações do Parque Shopping. No entanto, as métricas técnicas e operacionais estabelecidas pelo governo estadual não teriam sido alcançadas, o que arrefeceu o entusiasmo inicial e reduziu a prioridade do projeto dentro do planejamento estadual.

O cenário é especialmente sensível porque Lauro de Freitas já enfrenta sérios problemas de mobilidade. O congestionamento frequente na Estrada do Coco compromete deslocamentos diários, enquanto a cidade segue sem um sistema estruturado de transporte público urbano — responsabilidade da gestão municipal, que até o momento não assumiu efetivamente essa atribuição. A combinação desses fatores amplia a dependência do transporte metropolitano e torna ainda mais relevante a discussão sobre a ampliação do metrô.

Um dos principais indícios de que a extensão metroviária para Lauro perdeu espaço foi o avanço do projeto de expansão do metrô em direção ao Campo Grande, em Salvador. Esse trecho, concebido posteriormente à promessa de atender a Região Metropolitana, ganhou tração política e técnica, reforçando a percepção de mudança de foco do governo estadual.

Ao longo do último ano, alternativas ao metrô passaram a ser debatidas. Entre elas, a implantação de um VLT ligando o Terminal Aeroporto à região de Portão ou a adoção de um corredor de BRT no mesmo trecho. Ambos os modais apresentam custos inferiores aos de um sistema metroviário pesado. O VLT, inclusive, ganha força pelo fato de o governo já estar implantando esse tipo de modal em Salvador.

O BRT, por sua vez, surge como a solução teoricamente mais rápida e simples de execução. No entanto, enfrenta forte resistência política. O grupo que comanda o estado historicamente criticou o BRT, classificando-o como um modal ultrapassado, o que cria um impasse narrativo: a adoção do sistema enfraqueceria um discurso sustentado ao longo dos últimos anos.

Apesar das críticas, o BRT teria uma vantagem estratégica relevante: a possibilidade de extensão até as imediações do acesso a Arembepe, criando um sistema troncal capaz de atender não apenas Lauro de Freitas, mas também parte da orla de Camaçari, ampliando o impacto regional da intervenção.

Diante desse cenário, permanece a incerteza sobre qual caminho será adotado. Com 2026 se aproximando como um ano eleitoral, a tendência é que alguma proposta ganhe força ao longo do período. Resta saber se o governo estadual optará pela retomada do metrô, pela consolidação do VLT ou pela adoção do ainda controverso BRT.

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