Por Emerson Pereira – Foto Eduardo Martins/A TARDE
A paralisação dos rodoviários deflagrada em 29 de maio de 2006 entrou para a história como uma das maiores e mais marcantes greves do transporte público de Salvador. Ao lado das paralisações de 1990 e 1992, o movimento é lembrado como um dos episódios mais críticos da mobilidade urbana da capital baiana.
A greve foi iniciada por tempo indeterminado após novo impasse entre trabalhadores e empresas de ônibus. Naquele momento, os rodoviários reivindicavam reajuste salarial de 17%, percentual que chegou a cair para 10% após rodadas de negociação. A proposta final apresentada pelo setor empresarial, porém, foi de apenas 4%, o que levou a categoria a cruzar os braços.
Logo nas primeiras horas da paralisação, a cidade sentiu os impactos. Rodoviários fecharam a pista nos dois sentidos da região da Sete Portas, e a adesão foi ampla, envolvendo não apenas os ônibus urbanos de Salvador, mas também linhas metropolitanas e intermunicipais. O transporte coletivo simplesmente deixou de circular.
A Justiça do Trabalho chegou a determinar que 70% da frota permanecesse em operação, sob pena de multa diária de R$ 50 mil ao sindicato. A decisão, no entanto, foi ignorada. No dia seguinte, nenhum ônibus saiu das garagens, configurando adesão total à greve. Sem alternativas, a população recorreu a caronas, transportes alternativos e longas caminhadas.
Com a cidade praticamente parada, escolas das redes pública e privada suspenderam aulas, e áreas inteiras de Salvador ficaram vazias. No segundo dia, após ação da Polícia Militar, cerca de 240 ônibus voltaram a circular, escoltados em comboios. A saída dos veículos foi marcada por piquetes em frente às garagens e pela necessidade de intervenção policial.
Nos dias seguintes, o cenário se agravou. Houve registros de depredações, ônibus danificados e um veículo incendiado na região do Trobogy. A violência gerou medo entre motoristas, passageiros e trabalhadores que tentavam manter parte do serviço em funcionamento. A Rodoviária de Salvador também foi afetada, dificultando viagens intermunicipais e interestaduais.
Somente em 2 de junho de 2006, após dias de tensão, Salvador começou a retomar a rotina. O fim da greve ocorreu após dissídio coletivo no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que definiu reajuste salarial de 5%, estendido também ao tíquete-alimentação.
Mais do que números, a greve de 2006 ficou marcada pelo impacto profundo na vida urbana e pela lembrança de um período em que a mobilidade de Salvador entrou em colapso — reforçando seu lugar entre as paralisações mais históricas do transporte público da cidade.
Com informações do Jornal A Tarde



