Fabricante japonesa combina trabalho manual, testes de impacto e inspeções duplas para produzir equipamentos usados por motociclistas e pilotos de MotoGP
A Arai mantém no Japão um processo de fabricação de capacetes que contrasta com a automação adotada por grande parte da indústria. Na fábrica de Shinto, os equipamentos continuam sendo produzidos majoritariamente à mão, com aplicação manual de fibras e resinas, inspeções individuais e até uma avaliação sonora feita por trabalhadores treinados para identificar possíveis problemas na estrutura.
Depois que as camadas de fibra e resina são aplicadas e endurecem, cada casco é pesado e submetido a uma inspeção. Um dos procedimentos consiste em bater levemente na estrutura e avaliar o som produzido. Segundo a reportagem do Webike, a experiência do funcionário permite identificar alterações que podem indicar defeitos na peça. Quando existe dúvida sobre a integridade do casco, ele é descartado.
A fabricante iniciou a produção de capacetes em 1950, antes da consolidação das normas de segurança para esse tipo de equipamento no Japão. Ao longo das décadas, desenvolveu métodos próprios de avaliação e passou a adotar padrões de certificação mais rigorosos. Nos anos 1960, a Arai se tornou a primeira fabricante japonesa a obter a certificação Snell, criada em homenagem ao piloto americano Pete Snell, que morreu em um acidente de corrida em 1956.
A empresa também submete seus produtos a testes de impacto severos. Nos ensaios descritos pelo Webike, capacetes são lançados contra estruturas metálicas e submetidos a impactos repetidos, enquanto sensores registram as forças transmitidas para a região interna. Outro teste utiliza um objeto cônico de três quilos lançado contra o casco para avaliar sua resistência à penetração.
Além de absorver parte da energia da colisão, a Arai utiliza um conceito chamado de deflexão. O formato arredondado dos capacetes busca facilitar o deslizamento sobre o pavimento e reduzir a possibilidade de que o equipamento fique preso ao solo durante uma queda. A estratégia procura desviar parte da energia do impacto em vez de interromper o movimento de maneira brusca.
O controle de qualidade também envolve duas inspeções independentes. O procedimento, adotado desde 1977, inclui uma primeira avaliação durante a fabricação, com conferência de peso e espessura, e outra no estágio final. Qualquer peça considerada inadequada é destruída. Quando há uma dúvida que possa comprometer a produção, o procedimento prevê a revisão do lote.
A mesma linha de produção atende aos diferentes mercados da Arai, incluindo equipamentos utilizados por pilotos profissionais. A fabricante afirma manter os mesmos critérios de fabricação para os capacetes destinados às competições e para aqueles vendidos aos motociclistas comuns. O processo manual, portanto, não é tratado apenas como uma tradição, mas como parte do sistema de controle adotado pela empresa para garantir a integridade dos equipamentos.
Fonte: Xataka Brasil / Webike / MotorPasion



