Brasil ultrapassa 1 milhão de carros chineses, mas e o pós-venda?

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Frota tem idade média de 3,34 anos e quase 70% dos veículos chegaram às ruas desde 2024; disponibilidade de peças e diagnóstico serão desafios com o envelhecimento

A frota de carros e comerciais leves de marcas chinesas no Brasil ultrapassou 1 milhão de unidades em 2026. O crescimento acelerado, porém, começa a levantar uma questão que vai além das vendas: a capacidade das fabricantes de manter uma estrutura de pós-venda preparada para atender os veículos à medida que eles envelhecem e passam a exigir reparos mais complexos.

Segundo cálculos da K.Lume Consultoria Automobilística, a frota chinesa tinha idade média de 3,34 anos em junho de 2026, enquanto a mediana era de apenas 1,5 ano. Mais da metade dos veículos, 52,6%, tinha até dois anos de uso. Considerando os automóveis com até três anos, a participação chegava a 69,3%, e 79% tinham no máximo cinco anos.

A expansão ocorreu principalmente nos últimos anos. Entre 2024 e o primeiro semestre de 2026, 688.454 veículos chineses foram incorporados à frota brasileira. Como grande parte ainda está dentro do período de garantia e concentrada em revisões programadas, a demanda por peças relacionadas ao desgaste e por reparos mais complexos ainda é relativamente limitada.

Os primeiros sinais, porém, mostram que o tempo de atendimento pode ser um ponto de atenção. Entre o primeiro trimestre de 2025 e o segundo trimestre de 2026, as ordens de serviço de veículos chineses cresceram 106%, contra 7% entre as marcas tradicionais. A frequência de passagem pelas oficinas foi praticamente semelhante, mas os reparos demoraram mais: 8,25 horas, em média, contra 4,64 horas nos veículos tradicionais. O intervalo entre a entrada e a entrega também foi maior, de 85 horas contra 30,4 horas.

A análise indica que o principal problema não está necessariamente na quantidade de defeitos ou na produtividade dos profissionais, mas na disponibilidade de peças e no diagnóstico. Em 10 das 14 oficinas analisadas, os veículos chineses apresentaram maior tempo de reparação. Em casos de colisões, a situação pode ser ainda mais complexa, envolvendo componentes como faróis, sensores, módulos eletrônicos, chicotes e peças estruturais.

O desafio tende a aumentar conforme a frota envelhecer. As fabricantes precisarão ampliar centros de distribuição, manter estoques regionais, treinar profissionais e garantir acesso a informações técnicas. Para o consumidor, especialmente quem compra um seminovo, a existência de uma rede de oficinas e a facilidade para encontrar peças podem se tornar tão importantes quanto preço, tecnologia e equipamentos.

Fonte: Terra/K.Lume Consultoria Automobilística

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