Em 21 de junho de 1931, um veículo ferroviário alemão com aparência de avião atingiu 230,2 km/h e estabeleceu um novo recorde mundial de velocidade sobre trilhos. O chamado “zepelim ferroviário”, desenvolvido pelo engenheiro Franz Kruckenberg, combinava uma estrutura extremamente leve e aerodinâmica com um motor de avião BMW e uma enorme hélice de madeira instalada na traseira.
O projeto nasceu da experiência de Kruckenberg na indústria aeronáutica e da ideia de aplicar à ferrovia princípios como baixo peso e redução da resistência do ar.
Com quase 26 metros de comprimento, o veículo pesava cerca de 20 toneladas. Para comparação, uma locomotiva prussiana P 8, produzida no mesmo período, chegava a aproximadamente 130 toneladas totalmente carregada.
Recorde de 230,2 km/h
O recorde foi estabelecido durante uma viagem entre Hamburgo-Bergedorf e Berlim. Em um trecho reto próximo a Karstädt, o veículo alcançou 230,2 km/h.
O resultado superou o recorde anterior de 210,2 km/h, obtido em 1903 por um trem expresso trifásico da AEG.
O desempenho do zepelim ferroviário impressionou, mas a velocidade não foi suficiente para transformar o projeto em uma alternativa viável para o transporte ferroviário convencional.
A hélice que dava velocidade também era o problema
A principal característica do veículo acabou sendo também uma de suas maiores limitações.
A hélice traseira dificultava o acoplamento de outros vagões e tornava as manobras complicadas, especialmente durante a marcha à ré. Um motor elétrico auxiliar precisou ser utilizado para ajudar nessas operações.
Havia ainda questões de segurança. A hélice exposta produzia um fluxo de ar intenso, capaz de levantar poeira e até pequenas pedras.
O espaço para passageiros também era limitado: o veículo podia transportar entre 24 e 40 pessoas, dependendo da configuração e da fonte consultada.
Além disso, a potência disponível, estimada entre 500 e 600 cavalos, não seria suficiente para transformar o sistema em uma solução prática para puxar vários vagões.
Projeto foi abandonado, mas deixou um legado
Em 1932, Kruckenberg modificou profundamente o veículo e retirou a hélice. O engenheiro passou a experimentar outros sistemas de propulsão e aproveitou os conhecimentos adquiridos no projeto para desenvolver conceitos de trens de alta velocidade com propulsão convencional.
O zepelim ferroviário foi adquirido pela Reichsbahn alemã em 1934, posteriormente retirado de serviço e sucateado em 1939.
Embora o projeto tenha fracassado como solução comercial, alguns de seus princípios permaneceram relevantes. A construção leve e o desenho aerodinâmico utilizados para alcançar altas velocidades continuaram influenciando o desenvolvimento ferroviário.
A história do veículo mostra que uma tecnologia pode fracassar sem que todas as ideias utilizadas nela sejam descartadas. A hélice se revelou um beco sem saída para a operação ferroviária, mas a busca por menor peso e menor resistência aerodinâmica permaneceu como um caminho importante para os trens de alta velocidade.
Fonte: Acervo Histórico da DB AG e NDR, conforme material publicado pelo PH Mota



