Carros autônomos começaram a ser testados em 1997 com ajuda de 90 mil ímãs instalados na estrada

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Embora os veículos autônomos tenham se popularizado apenas nos últimos anos com o avanço da inteligência artificial, sensores e radares, a ideia de carros capazes de dirigir sozinhos já era colocada em prática nos Estados Unidos em 1997. Na época, uma demonstração realizada em uma rodovia norte-americana utilizou cerca de 90 mil ímãs embutidos no asfalto para orientar automóveis experimentais, mostrando que a tecnologia estava em desenvolvimento muito antes do surgimento dos sistemas modernos de direção autônoma.

Segundo reportagem do Terra Mobilidade, licenciada do Xataka, os primeiros testes de grande escala ocorreram como parte de um programa financiado pelo governo dos Estados Unidos para desenvolver rodovias inteligentes. A iniciativa ganhou força após a aprovação, em 1991, da Lei de Eficiência do Transporte Intermodal, que destinou US$ 155 bilhões para investimentos em infraestrutura viária, segurança e transporte público até 1997. Parte desses recursos foi direcionada ao desenvolvimento de uma rodovia automatizada e de veículos capazes de trafegar de forma autônoma.

O sistema experimental era bastante diferente dos utilizados atualmente. Em vez de mapas digitais, GPS de alta precisão e inteligência artificial, os protótipos utilizavam ímãs instalados ao longo da pista, que eram identificados por sensores posicionados sob os veículos. Esses sinais permitiam manter o carro centralizado na faixa de rolamento. O conjunto também contava com câmeras de baixa resolução e computadores capazes de interpretar informações básicas sobre a via.

A demonstração foi realizada durante o programa conhecido como National Automated Highway System Consortium, considerado um dos marcos históricos da direção autônoma. Para tornar o experimento possível, foi necessário instalar aproximadamente 90 mil ímãs em um trecho da rodovia interestadual I-15, na Califórnia. O elevado custo da infraestrutura mostrou, entretanto, que o modelo dificilmente seria aplicado em larga escala.

Apesar das limitações, o projeto serviu como base para o desenvolvimento das tecnologias atuais. Ao longo das décadas seguintes, a evolução dos sensores, do processamento computacional, do GPS e da inteligência artificial tornou desnecessária a instalação de equipamentos físicos nas rodovias. Hoje, sistemas de direção autônoma utilizam câmeras, radares, sensores ultrassônicos e lasers (LiDAR) para interpretar o ambiente em tempo real, dispensando modificações na infraestrutura viária.

A reportagem lembra que a ideia de veículos autônomos é ainda mais antiga. Conceitos como o Pontiac Firebird II, apresentado no final da década de 1950, já imaginavam automóveis capazes de circular automaticamente por rodovias inteligentes. Nas décadas seguintes, pesquisadores como o engenheiro alemão Ernst Dickmanns deram importantes contribuições ao desenvolvimento da visão computacional aplicada aos veículos.

Hoje, empresas como Waymo, Tesla, Mercedes-Benz, Zoox e diversas fabricantes chinesas desenvolvem sistemas muito mais sofisticados, capazes de operar em ambientes urbanos sem depender de infraestrutura especial. Ainda assim, a experiência de 1997 permanece como um dos capítulos mais importantes da história da mobilidade autônoma, demonstrando que o sonho dos carros sem motorista começou muito antes da era da inteligência artificial.

Fonte: Terra Mobilidade, com informações do Xataka.

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