Fusca foi projeto da Alemanha Nazista antes de ser um dos carros mais populares do mundo

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Conhecido mundialmente como um dos automóveis mais vendidos da história e símbolo da cultura pop, o Fusca teve uma origem ligada ao regime da Alemanha Nazista. O veículo surgiu na década de 1930 como parte de um projeto idealizado por Adolf Hitler, que pretendia criar um “carro do povo” para ampliar o acesso da população alemã ao automóvel e fortalecer a imagem do governo por meio da indústria nacional.

A iniciativa foi lançada após Hitler assumir o poder, em 1933, quando a Alemanha enfrentava uma profunda recessão e registrava um dos menores índices de motorização da Europa. Na época, fabricantes como Mercedes-Benz, BMW e Porsche produziam automóveis de luxo, inacessíveis para grande parte da população. Dentro desse cenário, o líder nazista passou a defender a criação de um veículo popular, que pudesse ser produzido em larga escala e adquirido pelas famílias alemãs.

Para desenvolver o projeto, o governo recebeu propostas dos engenheiros Josef Ganz, Edmund Rumpler e Ferdinand Porsche. Segundo relatos históricos citados pela reportagem, Ganz e Rumpler eram judeus, fator que inviabilizou suas candidaturas perante o regime nazista. Já Ferdinand Porsche, que mantinha relação próxima com Jacob Werlin, assessor de Hitler para assuntos automotivos, foi escolhido para liderar o desenvolvimento do novo veículo.

O contrato entre Porsche e o governo foi assinado em junho de 1934. A partir de seu escritório em Stuttgart, o engenheiro reuniu uma equipe para criar um automóvel de baixo custo, motor eficiente, manutenção simples e design compacto e aerodinâmico, características que dariam origem ao modelo que décadas depois ficaria conhecido como Fusca.

Naquele período, porém, o veículo recebeu o nome de KdF-Wagen, sigla para “Kraft durch Freude” (“Força pela Alegria”), organização de lazer vinculada à Frente Alemã do Trabalho, responsável também pela comercialização do automóvel. O apelido Fusca surgiria apenas anos mais tarde, enquanto a denominação Beetle (“besouro”), inspirada nas linhas arredondadas da carroceria, se popularizou somente no período pós-guerra.

O sistema de compra funcionava de forma semelhante a um consórcio. Os interessados depositavam cerca de 5 marcos por semana em um caderno de selos e somente receberiam o veículo após completar o valor aproximado de 990 marcos do Reich. Entre 150 mil e 300 mil alemães aderiram ao programa, mas praticamente nenhum chegou a receber o automóvel.

Com o início da Segunda Guerra Mundial, em setembro de 1939, a produção de veículos civis foi interrompida. Apenas algumas centenas de unidades do KdF-Wagen haviam sido fabricadas, sendo a maior parte destinada a oficiais e integrantes do Partido Nazista, e não aos compradores que haviam financiado o projeto.

A fábrica construída para produzir o “carro do povo”, localizada em Wolfsburg, teve sua produção redirecionada para atender às necessidades militares. No local passaram a ser fabricados veículos como o Kübelwagen, utilizado como uma espécie de jipe militar, e o Schwimmwagen, versão anfíbia empregada pelas tropas nazistas em diferentes frentes de batalha, incluindo o Norte da África e o Leste Europeu.

Com o fim da guerra, em 1945, a fábrica de Wolfsburg ficou sob administração das forças britânicas na Alemanha ocupada. A decisão foi retomar a produção do automóvel civil, agora denominado oficialmente Volkswagen Tipo 1. Desvinculado da administração nazista e reconstruído sob uma nova gestão, o modelo passou a conquistar mercados internacionais e, nas décadas seguintes, transformou-se em um dos carros mais vendidos da história.

De forma simbólica, o veículo que nasceu como parte de um projeto do regime nazista acabou se tornando, anos depois, um dos maiores ícones da paz, da liberdade e da contracultura, especialmente entre as décadas de 1960 e 1970, consolidando uma trajetória marcada por uma profunda transformação histórica.

Fonte: Xataka Brasil.

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