O crescimento acelerado dos veículos elétricos no Brasil nos últimos anos tem sido impulsionado principalmente pela chegada das montadoras chinesas e pela redução gradual dos preços. No entanto, muito antes da popularização de modelos como o BYD Dolphin Mini, diversas fabricantes já haviam apostado na eletrificação no país. Muitas dessas iniciativas, porém, não resistiram ao mercado e acabaram saindo de linha.
Levantamento publicado pelo Terra mostra que, ao longo dos últimos 12 anos, vários modelos elétricos passaram pelas concessionárias brasileiras, mas acabaram descontinuados por motivos que vão desde preços elevados e baixa autonomia até a forte concorrência dos novos fabricantes chineses.
Um dos casos mais emblemáticos é o do BMW i3, considerado um dos pioneiros da mobilidade elétrica moderna. Lançado globalmente em 2013, o compacto urbano chegou ao Brasil em volumes limitados e com preço elevado para a época. Apesar do caráter inovador, sua autonomia reduzida e o nicho restrito de compradores impediram uma expansão maior. O modelo deixou de ser produzido em 2022.
Outro pioneiro foi o Renault Zoe, que começou sendo vendido para frotistas antes de chegar ao consumidor comum durante o Salão do Automóvel de 2018. Na época, seu preço girava em torno de R$ 150 mil, valor considerado muito alto para o mercado brasileiro daquele momento. Após uma atualização visual em 2021, o hatch acabou saindo de linha em 2023, cedendo espaço ao Megane E-Tech.
O charmoso Fiat 500e também não conseguiu repetir no Brasil o sucesso conquistado na Europa. Entre sua chegada ao país, em 2021, e meados de 2025, foram emplacadas menos de 60 unidades, resultado insuficiente para justificar sua continuidade. O modelo ficou restrito a um público muito específico de entusiastas da eletrificação.
Entre os elétricos mais conhecidos mundialmente, o Nissan Leaf talvez seja o exemplo mais significativo. Considerado um dos veículos responsáveis pela popularização dos elétricos em escala global, o modelo chegou ao Brasil com boa receptividade inicial. Porém, acabou perdendo competitividade diante dos novos rivais chineses, principalmente por oferecer autonomia inferior e utilizar um sistema de refrigeração a ar para as baterias, considerado menos eficiente que as soluções mais modernas.
No segmento premium, o destaque foi o Jaguar I-Pace. Lançado em 2018 como resposta da fabricante britânica ao crescimento da Tesla, o SUV acumulou prêmios internacionais e chegou a ter uma categoria de competição exclusiva. Apesar do reconhecimento, o volume de vendas ficou abaixo das expectativas e o modelo foi descontinuado em 2022.
A lista inclui ainda o Renault Kwid E-Tech, que durante algum tempo ostentou o título de elétrico mais barato do Brasil. A chegada do BYD Dolphin Mini, porém, mudou completamente o cenário. Enquanto o modelo chinês ultrapassou 21 mil emplacamentos, o Kwid elétrico registrou apenas 217 unidades vendidas em 2026, encerrando sua trajetória após quase quatro anos no mercado nacional.
Outro caso de pouca aceitação foi o do Peugeot E-2008. Importado da Espanha, o SUV elétrico chegou ao país com autonomia inferior à de vários concorrentes e preços pouco competitivos. Em seu último ano de comercialização, registrou apenas quatro unidades emplacadas, deixando o mercado em 2025.
A chinesa Seres representa um dos exemplos mais rápidos de fracasso comercial no setor. A marca desembarcou no Brasil em 2023, inaugurou concessionárias e trouxe os modelos Seres 3 e Seres 5, mas não conseguiu conquistar consumidores. A operação foi suspensa em 2024 e algumas unidades remanescentes chegaram a ser leiloadas.
Entre os modelos mais curiosos está o BYD D1, criado especificamente para motoristas de aplicativos. O veículo chegou ao Brasil em 2022 por meio de uma parceria com a plataforma 99, oferecendo portas traseiras corrediças, cabine ampla e foco em durabilidade. O projeto foi encerrado primeiro na China e depois no Brasil, tornando-se o primeiro elétrico da BYD a sair de linha no mercado nacional.
Fechando a lista aparece o Volkswagen ID.4, SUV elétrico lançado em junho de 2023. Equipado com motor de 204 cavalos, bateria de 77 kWh e autonomia de 377 quilômetros segundo o Inmetro, o modelo foi comercializado por meio do programa de assinatura da marca, o Sign&Drive. A estratégia, entretanto, limitou sua popularização e o veículo acabou deixando o portfólio nacional.
A trajetória desses modelos mostra como o mercado de veículos elétricos evoluiu rapidamente no Brasil. Carros que há poucos anos eram vistos como referências tecnológicas acabaram superados por novos produtos, especialmente os modelos chineses, que chegaram com maior autonomia, mais equipamentos e preços mais competitivos, alterando profundamente a dinâmica da eletrificação no país.
Fonte: Terra.




