Brasil e Argentina adotam caminhos opostos na gestão de malhas ferroviárias

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O cenário do transporte sobre trilhos na América do Sul em maio de 2026 revela um contraste profundo entre as políticas de Estado adotadas pelas duas maiores economias da região. Enquanto o Brasil consolida um modelo de concessão à iniciativa privada, concentrando ferrovias bilionárias nas mãos de grandes grupos logísticos, a Argentina executa um plano para recuperar o controle estatal sobre 14 mil quilômetros de trilhos. O projeto argentino, dividido em nove frentes de atuação, aposta em um modelo de administração que visa revitalizar ramais abandonados e fortalecer a soberania logística, distanciando-se da lógica de privatização que predomina no território brasileiro.

No lado brasileiro, a estratégia foca na eficiência de escoamento de commodities, como minério de ferro e grãos, por meio de investimentos privados pesados em troca do direito de exploração por décadas. Esse modelo tem garantido a modernização de eixos estratégicos, mas também gera críticas sobre a concentração de mercado e o foco restrito a rotas de alta rentabilidade. Em contrapartida, o governo da Argentina busca reestatizar malhas operadas anteriormente por empresas que não cumpriram metas de investimento. O objetivo é integrar regiões economicamente isoladas, promovendo o transporte de passageiros e de cargas diversas, mesmo em rotas que não atraem o interesse direto do capital privado.

O desafio da Argentina para recuperar seus trilhos esbarra em limitações fiscais e na necessidade de renovação tecnológica de uma frota e infraestrutura envelhecidas. Já o Brasil enfrenta o desafio de garantir que as concessionárias privadas também invistam na malha de curta distância e na integração regional, evitando a criação de “ilhas ferroviárias” desconectadas do restante do país. Especialistas em infraestrutura acompanham de perto os dois experimentos: um que delega a gestão ao mercado em busca de lucro e agilidade, e outro que retoma o protagonismo público como indutor do desenvolvimento nacional, configurando dois laboratórios de gestão ferroviária distintos no continente.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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