Rússia e Coreia do Norte constroem ponte para ligação direta entre os países

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A Coreia do Norte e a Rússia estão prestes a inaugurar uma ponte rodoviária de aproximadamente 850 metros sobre o rio Tumen, criando uma nova ligação direta entre os dois países no extremo nordeste da Ásia, próximo também da China. A obra, iniciada em 2024, após acordos entre Vladimir Putin e Kim Jong-un, tem conclusão prevista para junho de 2026 e é apresentada oficialmente como uma forma de impulsionar turismo, comércio e circulação de pessoas.

A nova ponte tem peso estratégico porque, até agora, o principal elo físico entre os dois países era a Ponte da Amizade, uma ferrovia inaugurada em 1959 sobre o mesmo rio Tumen. Por ser exclusivamente ferroviária, essa ligação impunha limitações ao fluxo de pessoas e mercadorias, com menor flexibilidade de horários, rotas e capacidade de transporte.

Com a nova ligação rodoviária, a estimativa é permitir a circulação de até 300 veículos por dia, abrindo uma rota terrestre direta entre Rússia e Coreia do Norte sem necessidade de passagem por território chinês. Para Moscou e Pyongyang, isso reduz distâncias, aumenta a autonomia logística e cria um corredor mais rápido para mercadorias, pessoas e intercâmbios comerciais e culturais.

A preocupação do Ocidente está no contexto geopolítico. A ponte avança após a assinatura de um acordo de parceria estratégica em 2024 entre os dois países, em meio a sanções internacionais contra a Coreia do Norte e restrições econômicas aplicadas à Rússia após a guerra na Ucrânia. Analistas veem a obra como mais que um projeto econômico: a ligação pode facilitar o transporte de cargas, equipamentos e materiais sensíveis.

O ponto mais delicado é que a ONU mantém sanções que limitam o acesso norte-coreano a combustíveis, tecnologias e bens estratégicos, especialmente por causa do programa nuclear e de mísseis balísticos do país. Com a nova ponte, cresce o temor de que parte dessas restrições seja contornada por uma rota terrestre direta e menos dependente de corredores tradicionais ou vias marítimas mais monitoradas.

Fonte: Xataka Brasil

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