O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com o Ministério dos Transportes, divulgou o Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Rodoviários, revelando o peso crescente do transporte terrestre na poluição e nas mudanças climáticas. O estudo reúne uma série histórica de 45 anos (1980 a 2024) e integra a Política Nacional de Qualidade do Ar, instituída pela Lei nº 14.850/2024, sendo considerado um instrumento estratégico para formulação de políticas públicas.
Os dados mostram que o Brasil atingiu mais de 71 milhões de veículos em circulação em 2024, sendo 63% automóveis, 25% motocicletas, 9% comerciais leves, 3% caminhões e menos de 1% ônibus, evidenciando a predominância do transporte individual. Esse crescimento impactou diretamente as emissões: o volume de CO₂ equivalente aumentou cerca de 8% entre 2012 e 2024, acompanhando a expansão da frota.
O levantamento aponta que o setor emitiu 270 milhões de toneladas de CO₂ em 2024, com destaque para automóveis (42%) e caminhões (40%), consolidando o transporte rodoviário como um dos principais responsáveis pelas emissões nacionais. No total, o CO₂ representa 97% das emissões do setor, reforçando sua relevância no aquecimento global.
O inventário também amplia o monitoramento ao incluir poluentes climáticos de vida curta, como metano e carbono negro, além de emissões por desgaste de pneus, freios e pavimento. Apesar da alta nas emissões de gases de efeito estufa, houve avanços importantes: o monóxido de carbono caiu de 5,5 milhões para 1 milhão de toneladas desde 1991, e os óxidos de nitrogênio apresentam redução desde o fim dos anos 1990, embora ainda fortemente associados ao uso de diesel, responsável por 87% dessas emissões.
No caso do material particulado, as emissões por combustão recuaram para menos de 18 mil toneladas, chegando a 38 mil toneladas quando consideradas fontes de desgaste. Já o carbono negro soma cerca de 8 mil toneladas, enquanto o metano mantém tendência de queda desde os anos 1990, com os automóveis respondendo por 45% das emissões atuais.
O estudo evidencia que, apesar dos avanços tecnológicos e da introdução de veículos elétricos e híbridos na série histórica, o modelo de mobilidade ainda é altamente dependente do transporte rodoviário, reforçando a necessidade de políticas mais robustas para redução de emissões e melhoria da qualidade do ar nas cidades brasileiras.
Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.



