O que Ilhéus acerta que falta em outras cidades da Bahia no transporte público?

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Foto Divulgação Prefeitura de Ilhéus

A entrega de 15 novos ônibus zero quilômetro em Ilhéus não representa apenas uma renovação de frota. O movimento levanta uma questão mais ampla: o que exatamente o município está fazendo — ainda que de forma gradual — que outras cidades baianas não conseguem replicar em seus sistemas de transporte público?

Os novos veículos, equipados com ar-condicionado, Wi-Fi, entradas USB e acessibilidade, indicam uma decisão clara de investir na qualificação do serviço. Mais do que tecnologia embarcada, há um sinal de gestão: a prefeitura assume o protagonismo sobre o sistema e busca, dentro de suas limitações, promover melhorias perceptíveis para a população.

O contraste se torna evidente quando se observa a realidade de Lauro de Freitas. Apesar de abrigar o Terminal Aeroporto, conectado ao metrô de Salvador, o município ainda não estruturou um sistema de transporte público licitado. Na prática, a operação segue sob responsabilidade do governo estadual — uma solução que atende parcialmente à demanda, mas revela uma lacuna importante: a ausência de protagonismo local na gestão da mobilidade urbana.

Em Feira de Santana, o cenário é ainda mais sensível. O sistema urbano, conhecido como FeiraMob, enfrenta críticas recorrentes relacionadas à irregularidade das operações e à baixa confiabilidade do serviço. O BRT da cidade, que deveria representar um salto de qualidade, opera aquém do esperado: ônibus disputando espaço com o tráfego comum, estações danificadas e uma frota que não condiz com o conceito do modal. O resultado é um sistema que, na prática, não entrega os benefícios que justificaram sua implantação.

Já em Alagoinhas, o problema está menos na infraestrutura e mais na estrutura de operação. A concentração do serviço em um único operador, somada à elevada idade média da frota, impacta diretamente na qualidade percebida pelos usuários, que frequentemente relatam falhas, desconforto e falta de regularidade.

Diante desses exemplos, a diferença não parece estar exclusivamente na disponibilidade de recursos, mas sim na forma como o transporte público é tratado dentro da agenda de cada município. Ilhéus, mesmo com população inferior à de cidades como Lauro de Freitas e Feira de Santana, demonstra uma postura mais ativa, assumindo a responsabilidade pelo sistema e promovendo avanços, ainda que pontuais.

Isso não significa que o transporte na cidade seja isento de problemas. Como em grande parte do interior baiano, ainda há desafios estruturais a serem enfrentados. No entanto, há um indicativo claro de direção — algo que falta em muitos outros contextos.

Outros municípios também ensaiam movimentos nessa direção. Em Vitória da Conquista, iniciativas recentes buscam reorganizar o sistema, enquanto Camaçari tenta avançar em soluções para qualificar a operação. Ainda assim, os resultados são desiguais e evidenciam que o caminho passa, inevitavelmente, por decisões políticas e capacidade de gestão.

No fim das contas, a pergunta que fica não é apenas o que Ilhéus está fazendo certo, mas por que outras cidades ainda não conseguiram dar os mesmos passos.

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