Foto Divulgação GovBa
Com as obras avançando em diferentes trechos e a previsão de início dos testes técnicos se aproximando, o projeto do VLT de Salvador e Região Metropolitana entra em uma fase decisiva. Apesar do avanço físico da obra, uma questão básica para o funcionamento do sistema ainda não foi definida pelo Governo da Bahia: quem será o responsável por operar o modal.
Em resposta ao portal SóMob, a Companhia de Trens da Bahia (CTB) informou que o sistema está em fase de implantação das obras civis e de instalação da infraestrutura, além dos preparativos para a operação assistida prevista para junho de 2026.
Segundo a estatal, está sendo desenvolvida a modelagem operacional voltada à contratação dos serviços de operação e manutenção do sistema. O projeto encontra-se atualmente na etapa de definição dos aspectos contratuais e operacionais que irão embasar, posteriormente, o lançamento do edital para a escolha da empresa responsável pela operação.
Na prática, isso significa que, faltando poucos meses para o início dos testes, ainda não há uma empresa definida para operar o VLT.
Embora as obras estejam avançando em um ritmo considerado satisfatório em diversos trechos do traçado, especialistas em transporte apontam que a infraestrutura, por si só, não garante que o sistema esteja pronto para transportar passageiros. A operação de um sistema ferroviário envolve uma estrutura complexa que depende diretamente da empresa responsável pela gestão do serviço.
Entre as etapas necessárias estão o recrutamento de equipes, treinamento técnico de colaboradores, formação e certificação de operadores de trem, além da organização das rotinas de manutenção e da estrutura de controle operacional do sistema.
Esses processos normalmente exigem meses de preparação e, em alguns casos, podem incluir capacitações realizadas fora do estado ou até em outras regiões do país onde existam sistemas semelhantes em funcionamento.
Outro ponto citado pela CTB é que o VLT será integrado aos demais sistemas de transporte da cidade, incluindo o metrô e a nova rodoviária de Salvador, com o objetivo de ampliar a conectividade da rede de mobilidade urbana.
O metrô da capital baiana é operado pela concessionária CCR Metrô Bahia, responsável pelas linhas 1 e 2 do sistema. Nos bastidores do setor, no entanto, informações extraoficiais indicam que a concessionária não demonstra, ao menos neste momento, grande interesse em participar de uma eventual disputa pela operação do VLT.
Caso esse cenário se confirme, o governo estadual precisará buscar outros operadores com experiência em sistemas ferroviários urbanos para assumir o novo modal.
Diante do cronograma anunciado pelo governo estadual, a definição do operador se torna um passo fundamental para garantir que o novo sistema entre em funcionamento dentro do prazo previsto. Afinal, concluir as obras é apenas uma parte da equação: sem uma empresa estruturada para assumir a operação, existe o risco de que a infraestrutura fique pronta antes que o sistema esteja realmente preparado para começar a transportar passageiros.
Home Transporte público Sem operador definido, VLT de Salvador ainda enfrenta indefinição antes do início...



