Falta de motoristas atinge 88% das transportadoras e ameaça logística no Brasil

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A escassez de profissionais nas estradas brasileiras tem se transformado em um dos principais desafios para o setor logístico. Um levantamento recente aponta que 88% das transportadoras no Brasil enfrentam dificuldades para contratar motoristas profissionais, cenário que já provoca um verdadeiro “apagão” de mão de obra e começa a impactar diretamente o transporte de cargas no país.

O problema ganha dimensão ainda maior porque o transporte rodoviário responde por cerca de 65% de toda a movimentação de cargas no Brasil, sendo o principal modal logístico nacional. Com a falta de profissionais, muitas empresas já convivem com caminhões parados nos pátios, mesmo diante de demanda crescente por fretes e mercadorias aguardando transporte.

Dados do setor indicam que, em média, cada transportadora chega a manter até 8 caminhões sem operação por falta de motoristas qualificados. O déficit de mão de obra também está ligado à redução expressiva no número de profissionais habilitados para conduzir veículos pesados nos últimos anos. Entre 2015 e 2025, o Brasil perdeu cerca de 1,1 milhão de motoristas com habilitação nas categorias C, D e E, necessárias para conduzir caminhões e veículos de carga.

Especialistas apontam que o problema resulta de uma combinação de fatores estruturais. Entre eles estão o envelhecimento da categoria, a baixa entrada de jovens na profissão, longas jornadas nas estradas, riscos de assaltos e a precariedade da infraestrutura em rodovias e pontos de parada. Além disso, o aumento dos custos operacionais do setor tem pressionado empresas e trabalhadores, dificultando a oferta de condições mais atrativas para novos profissionais.

O resultado é um cenário paradoxal: há caminhões disponíveis, cargas para transportar e empresas dispostas a contratar, mas faltam profissionais qualificados para assumir o volante. Se a tendência persistir, especialistas alertam que o país poderá enfrentar gargalos logísticos cada vez maiores, com reflexos no custo do frete, na distribuição de mercadorias e até no preço final de produtos para o consumidor.

Fonte: Portal Terra Brasil Notícias.

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