As mulheres representam 53% dos passageiros do transporte coletivo por ônibus na cidade de São Paulo, enquanto 64% dos usuários se autodeclaram negros. Os dados foram apresentados pelo secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Caldeira, durante seminário sobre eletromobilidade promovido pelo Grupo Lide, no fim de fevereiro. Segundo ele, outro dado relevante é que 27% dos passageiros pertencem à geração Z, com idades entre 16 e 29 anos, grupo que tem demonstrado maior adesão a soluções consideradas mais sustentáveis, como ônibus elétricos e híbridos.
O levantamento também revela que 81% das viagens têm como principal motivo o trabalho, 9% são para estudo e 10% para outras finalidades. A maior parte dos passageiros reside na zona sul (32,8%), seguida das zonas leste (31%), norte (17,3%), oeste (13,2%) e centro (5,7%). A dependência do sistema é alta: 75% utilizam transporte público cinco dias ou mais por semana, 53% precisam usar duas linhas até o destino e 40% combinam o ônibus com metrô, trem ou outros modais.
A estrutura operacional do sistema reforça sua dimensão: São Paulo conta com 13.419 ônibus, sendo 12.098 em operação. Em 2025, foram transportados 1,9 bilhão de passageiros, média diária de 7 milhões de embarques, distribuídos em 1.319 linhas, das quais 150 noturnas. A cidade dispõe ainda de 31 terminais, mais de 20 mil pontos de parada, 590 km de faixas exclusivas e 135 km de corredores. Segundo o secretário, a frota é 100% acessível, 96% dos veículos possuem ar-condicionado, 99% oferecem Wi-Fi e todos contam com entradas USB e monitoramento 24 horas.
O avanço da eletromobilidade foi destacado como eixo estratégico da gestão. De acordo com Caldeira, a presença de ônibus elétricos e híbridos cresceu significativamente desde 2020, consolidando-se como parte central da política de redução de emissões e modernização da frota. A expansão ocorre em consonância com a meta municipal de descarbonização e com a demanda de um público mais atento à pauta ambiental.
No campo da inclusão social, os dados mostram que 33% dos usuários vivem em áreas de vulnerabilidade e que 95% da população está a menos de 300 metros de um ponto de ônibus. Programas como o “Domingão Tarifa Zero”, que oferece transporte gratuito aos domingos, já registraram 337 milhões de passageiros e, segundo a prefeitura, têm aprovação de 97%. Iniciativas como a gratuidade para idosos, pessoas com deficiência e o programa “Mamãe Tarifa Zero” também foram ressaltadas.
O perfil dos passageiros evidencia que o sistema paulistano é essencialmente popular, feminino e majoritariamente negro, o que reforça seu papel como política pública de inclusão e acesso à cidade. A forte presença de jovens indica uma possível mudança geracional no padrão de deslocamento, com menor apego ao transporte individual. Ao mesmo tempo, a alta dependência para fins de trabalho revela que eficiência, integração modal e redução do tempo de viagem continuam sendo desafios centrais.
A combinação entre modernização tecnológica, ampliação da frota elétrica e políticas de gratuidade aponta para um modelo que busca conciliar sustentabilidade ambiental e justiça social. No entanto, especialistas destacam que a manutenção desse padrão exige financiamento estável, integração entre modais e expansão da infraestrutura, especialmente nas regiões mais populosas e com maiores gargalos logísticos, como a zona sul da capital.
Fonte: Prefeitura de São Paulo



