O setor automotivo canadense entrou em alerta após o anúncio de um acordo comercial entre o governo federal e a China. O pacto, firmado pelo primeiro-ministro Mark Carney, prevê a importação anual de 49 mil veículos elétricos chineses com tarifa reduzida de 6,1%. Em contrapartida, Pequim se comprometeu a diminuir drasticamente as taxas sobre a canola canadense e outros produtos agrícolas.

Foto: Brittanica
A medida provocou reação imediata em Ontário, principal polo automotivo do país. O primeiro-ministro da província, Doug Ford, convocou uma reunião de emergência com o governo federal e pediu boicote aos veículos elétricos chineses, alegando que o acordo ameaça 500 mil empregos ligados à indústria automotiva. Segundo Ford, a entrada desses modelos representa um “golpe” contra as famílias que dependem do setor.
Flavio Volpe, presidente da Associação de Fabricantes de Autopeças, destacou que o volume de importação equivale a um turno inteiro de produção em uma planta de Ontário. A estimativa é de perda de até mil empregos diretos e cinco mil indiretos. Lana Payne, presidente do sindicato Unifor, criticou a ausência de contrapartidas, afirmando que empresas sem investimentos locais estão recebendo acesso facilitado ao mercado canadense, enquanto montadoras nacionais enfrentam exigências rigorosas.
Além da questão econômica, Ford levantou preocupações sobre segurança de dados e o impacto nas relações com os Estados Unidos. Com o governo Trump mantendo tarifas elevadas contra a China, há receio de que o Canadá seja visto como uma “porta dos fundos” para produtos chineses, o que poderia gerar retaliações contra veículos fabricados em Ontário.
Em tom nacionalista, Ford apelou ao consumidor para apoiar a indústria local e rejeitar os modelos asiáticos. Já o governo federal defende o acordo como uma oportunidade de oferecer carros elétricos mais acessíveis, com preços abaixo de 35 mil dólares canadenses, e de atrair investimentos futuros de joint-ventures chinesas no país.
O embate expõe a tensão entre a busca por veículos sustentáveis e acessíveis e a necessidade de proteger empregos e a indústria nacional, colocando o Canadá diante de um dilema estratégico em sua política comercial e energética.
Com informações do Garagem 360.




